É possível limpar microplásticos da água usando ondas sonoras, afirmam cientistas

O tamanho dos microplásticos dificulta a limpeza com a filtragem tradicional, mas o som permite que pequenas partículas se juntem e as separem da água.

de Redação Jornal Ciência 0

Um sistema de dois alto-falantes que cria ondas acústicas que filtram e removem microplásticos da água foi apresentado no 181º Encontro da Sociedade Acústica da América.

Os microplásticos são liberados no meio ambiente por meio de cosméticos (como por exemplo esfoliantes que usam partículas plásticas de polipropileno), roupas, processos industriais ou objetos plásticos grandes que começam a quebrar naturalmente com o passar do tempo e tornam-se minúsculos em rios e oceanos.

Isso representa um enorme problema para a vida marinha; os animais acabam comendo estas partículas que se acumulam em seus corpos, causando danos à saúde. Além disso, prejudicam a saúde humana, já que os peixes fazem parte da nossa cadeia alimentar.

Filtrar e remover pequenas partículas da água é uma tarefa difícil, mas as ondas acústicas podem fornecer uma solução para esse dilema que a humanidade parece ignorar.

Dhany Arifianto e sua equipe, do Institut Teknologi Sepuluh Nopember, em Surabaya, Indonésia, usaram dois alto-falantes para criar ondas sonoras.

Foto: Reprodução / Florida Sea Grant

A força produzida pelas ondas separa os microplásticos da água, criando pressão em um tubo de entrada de água. Quando o tubo é dividido em três canais, as partículas microplásticas são pressionadas em direção ao centro, enquanto a água limpa sai pelos dois canais externos.

O dispositivo protótipo limpou 150 litros por hora de água contaminada e foi testado com três microplásticos diferentes. Cada plástico foi filtrado com uma eficiência diferente, mas todos tiveram uma eficiência maior que 56% na água pura e 58% na água do mar.

A frequência acústica, a distância entre o alto-falante e o tubo e a densidade da água afetaram a quantidade de força gerada e, portanto, a eficiência — o que pode ser melhorado com a ajuda de outros cientistas ao redor do mundo.

As ondas acústicas podem afetar a vida marinha se a frequência das ondas estiver na faixa audível. O grupo está atualmente estudando esse possível problema, visando criar um sistema onde as ondas sonoras sejam inertes aos peixes e animais marinhos.

“Acreditamos que é necessário um maior desenvolvimento para melhorar a taxa de limpeza, eficiência e acima de tudo a segurança da vida marinha”, diz Arifianto em entrevista ao portal científico Eureka Alert.

Fonte(s): Eureka Alert  / La Nacion Imagens: Reprodução / La Nacion / Shutterstock

 

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