5 casos famosos de pessoas com múltiplas personalidades

de Merelyn Cerqueira 0

O transtorno dissociativo de identidade (TDI), também conhecido como transtorno de múltiplas personalidades, é uma condição da mente que há muito fascina a ciência.

Embora seja um distúrbio bem conhecido, profissionais de saúde como psiquiatras e psicólogos ainda não têm certeza sobre sua existência.                                 

De fato, enquanto alguns consideram a possibilidade de se tratar de uma outra forma de esquizofrenia, outros simplesmente desacreditam sua existência, afirmando que as pessoas nesta condição estão simplesmente fingindo – embora exista relatos de uma personalidade ter diabetes, e a outra não, na mesma pessoa, o que provaria biologicamente a existência dessa condição mental fascinante. Abaixo, você confere alguns casos famosos envolvendo o distúrbio.

5 – Louis Vivet

Um dos primeiros casos registrados de múltipla personalidade foi observado no francês Louis Vivet. Nascido em 12 de fevereiro de 1863, ele foi negligenciado pela mãe, que era prostituta.

Assim, aos oito anos, começou a cometer os primeiros crimes, até que foi preso e forçado a viver em detenção até o final da adolescência.

Aos 17 anos, enquanto trabalhava em um vinhedo, foi atacado por uma cobra. Embora o animal não tenha lhe picado, o fato de ter permanecido enrolado em seu braço fez com que tivesse convulsões, paralisando-o psicossomaticamente da cintura para baixo.

Enquanto paralisado, passou a viver em um asilo, de modo que um ano depois de sua internação voltou a andar.

No entanto, Vivet agora parecia uma pessoa completamente diferente. Já não reconhecia as pessoas do asilo, seu humor era muito mais sombrio e até mesmo o apetite era diferente.

Aos 18 anos foi liberado do asilo, embora isso não o tenha afastado da necessidade de ajuda médica. Ele permaneceu internado entre os anos de 1880 e 1881, de modo que foi diagnosticado com TDI.

Usando terapias de hipnose e metaloterapia (aplicação de ímãs e outros metais no corpo), um médico sugeriu que o rapaz possuía até 10 personalidades diferentes.

Esse diagnóstico foi revisado nos anos seguintes, de modo que especialistas concordaram que ele poderia ter tido apenas três – o que era algo muito incrível para a época.

4 – Truddi Chase

Antes de morrer em março de 2010, Truddi Chase contou que, em 1937, quando tinha apenas dois anos de idade, seu padrasto a agrediu física e sexualmente, enquanto sua mãe a abusou emocionalmente por 12 anos.

Uma vez adulta, após procurar ajuda psiquiátrica, descobriu ter 92 personalidades diferentes, sendo que a mais nova era uma menina de cinco ou seis anos chamada Lamb Chop. Outra personalidade era a de Ean, um poeta e filósofo irlandês com 1.000 anos de idade.

Curiosamente, nenhuma das personalidades se rejeitava e pareciam viver conscientes da existência uma da outra. Chase se referia a elas como “A Tropa” e o caso era tão interessante que em 1987 foi publicado em forma de livro, “When Rabbit Howls”, escrito por Chase e seu terapeuta.

A obra foi adaptada para uma minissérie de TV, em 1990, a mulher também apareceu em um segmento do programa da Oprah Winfrey no mesmo ano.

3 – Shirley Mason

Shirley Mason nasceu em 25 de janeiro de 1923, em Dodge Center, Minnesota (EUA). Em seus relatos alegou ter vivido uma infância extremamente difícil, com abusos provocado pela mãe – incluindo enemas (introdução de líquidos no reto) feitos com água fria.

Em 1954, começou a relatar sua vida à Dra. Cornelia Wilbur, o que incluiu episódios estranhos envolvendo diferentes hotéis em diferentes cidades. Sem ter ideia de como chegava a esses lugares, ela também ficava confusa ao recobrar a consciência dentro de lojas e em frente a produtos destruídos, de modo que foi diagnosticada com TDI.

A história de Mason foi transformada em um best-seller (“Sybil”), e em seguida em uma minissérie de TV de mesmo nome. Enquanto o caso é um dos mais conhecidos sobre o tema, ele passou por muitas críticas envolvendo autenticidade.

Muitas pessoas acreditam que Mason era uma mulher mentalmente doente que adorava sua psiquiatra. A Dra. Cornelia, por outro lado, foi acusada de ter aproveitado da situação e plantado toda a ideia na cabeça da paciente.

Mason aparentemente admitiu ter inventado toda a história em uma carta que escreveu para o Dr. Wilbur em maio de 1958. No entanto, a psiquiatra afirmou que a mente da paciente estava tentando convencê-la de que não estava doente. Ao longo dos anos, outras 16 personalidades foram reveladas em terapia.

Enquanto na versão de sua vida feita para a TV, Mason viveu feliz para sempre, na vida real ela se tornou dependente de barbitúricos e de sua terapeuta, morrendo em 26 de fevereiro de 1998, devido a um câncer de mama.

2 – Billy Miligan

 

Entre 14 a 26 de outubro de 1977, três mulheres da Universidade de Ohio State foram sequestradas, roubadas e estupradas.

Uma delas alegou que o homem responsável tinha um sotaque alemão, enquanto outra alegava que (apesar de sequestro e estupro) ele parecia ser “um cara legal”. O problema, no entanto, é que uma única pessoa havia cometida os crimes, Billy Milligan, de 22 anos.

Após sua prisão, Milligan passou por um psiquiatra e foi diagnosticado com TDI, tendo sido verificado com um total de 24 personalidades diferentes. Seu advogado de defesa alegou que, enquanto cometia os crimes, o rapaz não estava em sua consciência e autocontrole do corpo.

O júri concordou com a história e Milligan se tornou o primeiro norte-americano a ser inocentado por um crime devido ao TDI. 

Ele foi internado em um hospital psiquiátrico onde ficou confinado até 1988, sendo liberado após especialistas concordaram que todas as personalidades haviam se fundido.

Sua história ficou conhecida através de livros e filmes, um deles (The Crowded Room) que será lançado em 2019, estrelado por Leonardo DiCaprio. Milligan morreu de câncer em 12 de dezembro de 2014, aos 59 anos.

1 – Juanita Maxwell

Em 1979, Juanita Maxwell, de 23 anos, trabalhava como camareira em um hotel em Fort Myers, na Flórida (EUA).

Em março do mesmo ano, uma das hóspedes do hotel, Inez Kelley, 72 anos, foi brutalmente espancada, mordida e sufocada até a morte. Maxwell foi presa e acusada após ter sido encontrada com o sangue da vítima nos sapatos, bem como um arranhão no rosto, embora alegasse não ter ideia do que havia acontecido.

Enquanto aguardava julgamento, Maxwell foi obrigada a ver um psiquiatra, de modo que foi diagnosticada com TDI. Verificou-se que ela tinha seis personalidades além da sua, o que incluía duas dominantes, uma delas chamada Wanda Weston, que cometeu o assassinato.

Enquanto depunha em seu julgamento, Juanita foi observada como uma mulher calma, de fala mansa, de modo que Wanda era mais barulhenta, sedutora e com certa tendência a violência. Ela ria enquanto admitia ter batido na idosa após um desentendimento envolvendo uma caneta.

O juiz de fato ficou convencido de que Juanita tinha múltiplas personalidades, e ela foi enviada a um hospital psiquiátrico, onde supostamente não recebeu tratamento adequado, apenas tranquilizantes.

Maxwell foi libertada e em 1988 foi presa novamente, desta vez por roubar dois bancos. Afirmando que Wanda fora responsável pelos crimes, foi presa e posteriormente libertada por tempo de pena cumprido.

Fonte: ListVerse Fotos: Reprodução / ListVerse 

Jornal Ciência