Mulher em estado vegetativo por 10 anos dá à luz e choca profissionais da saúde

de Osmairo Valverde 0

Um quase afogamento anos atrás deixou uma mulher em estado vegetativo permanente por quase uma década. O dano foi gerado pela privação de oxigênio que o cérebro sofreu no acidente.

Sua vida é dentro de um quarto de cuidados clínicos com instalações especiais na Phoenix Hacienda HealthCare, no estado norte-americano do Arizona, onde necessitava de monitoria 24 horas por dia.

Logo após o Natal de 2018 a paciente entrou em trabalho de parto e deixou os funcionários, cuidadores e enfermeiros chocados.

“Pelo que me disseram, ela estava gemendo. Eles não sabiam o que havia de errado com ela. Nenhum funcionário sabia que ela estava grávida até que ela estivesse dando à luz”, disse uma fonte que não quis ser identificada em entrevista à KPHO, uma afiliada da CBS, um dos maiores canais de TV dos EUA.

Ainda segundo a fonte não identificada do hospital, em 29 de dezembro de 2018, a paciente deu à luz um menino saudável.

O nascimento do bebê – e obviamente o estupro e abuso íntimo que uma paciente vulnerável e incapaz de se defender sofreu – levantou questões de cunho moral, ético e de direitos humanos.

A responsável pelos cuidados da paciente é uma organização sem fins lucrativos que se autointitula como fornecedora líder de assistência médica para pessoas frágeis do estado de Phoenix.

Um porta-voz da polícia da cidade disse ao jornal The Washington Post que estão investigando o ocorrido, mas não divulgou nenhum detalhe sobre o caso.

A empresa Hacienda HealthCare deveria ser a responsável pelos cuidados com a paciente, mas falhou em seus processos de cuidado.

A instituição de saúde Hacienda HealthCare, com seus mais de 40 programas de assistência e atendendo 2.500 pessoas por ano no Arizona, não respondeu nenhuma das ligações da imprensa e e-mails enviados em busca de entrevista. Mas, apenas promete investigar o caso, por meio de nota oficial.

“Como organização, a Hacienda HealthCare está totalmente comprometida em obter a verdade de que, para nós, representa um assunto sem precedentes”, disse David Leibowitz, porta-voz da empresa.

Eles ainda salientam que: “Conduziram averiguação interna abrangendo todos os processos, protocolos e pessoas para garantir que todos os residentes da Hacienda estejam seguros e bem cuidados o melhor possível. Qualquer coisa menor do que isso é inaceitável para nossa equipe…”.

Até o momento ninguém foi preso e não está claro se existe algum suspeito entre a equipe de cuidadores. No estado do Arizona, abusar sexualmente de um adulto vulnerável é crime.

Karina Cesena, mãe da paciente, disse à KTVK, que está dormindo no quarto da filha de apenas 22 anos até que o agressor seja encontrado. A paciente teve uma lesão cerebral que gera dezenas de crises por dia.

Na mesma entrevista a mãe disse: “Eu não sei se minha filha foi vitimada, mas eu pergunto a ela, e ela pode responder sim ou não”, disse a mãe à KTVK. “Ela não é capaz de andar ou falar, mas entende”.

Karina comentou ainda que agora a empresa tem um novo protocolo que exige que funcionários masculinos tenham que obrigatoriamente ser acompanhados por funcionárias femininas quando entrarem no quarto de pacientes do sexo feminino.

Isso levantou outra questão: pacientes masculinos em estado vegetativo também não podem ser abusados?

O que é estado vegetativo? Qual a definição?

Estado vegetativo é o termo usado para graves danos no córtex cerebral nas regiões que controlam o pensamento e a personalidade.

Uma pessoa neste estado até pode parecer acordada e ter reflexos, mas é amplamente aceito pela comunidade científica e médica que o paciente não tem consciência do ambiente que o cerca, além de ser incapaz de sofrer mentalmente.

Fonte: The Washington Post Foto de Capa: Reprodução / Meu Estilo

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