Morre o “Índio do Buraco”; homem que vivia sozinho há quase 30 anos por ser o último de sua etnia

Corpo foi encontrado em Rondônia pela Fundação Nacional do Índio (Funai) que, apesar de acompanhá-lo à distância, nunca soube seu nome. Ele vivia sozinho após fazendeiros dizimarem seu povo

de Redação Jornal Ciência 0

A morte do último índio de uma tribo jamais estudada, conhecido como “Índio do Buraco”, foi divulgada pela Funai somente no sábado (27/08), após encontrar seu corpo em Rondônia, em 23 de agosto.

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Em nota à imprensa, a Funai declarou que o corpo do indígena foi encontrado dentro da sua rede de dormir em sua palhoça, localizada na Terra Indígena Tanaru, durante uma ronda de monitoramento. 

A fundação ainda complementou que “não havia vestígios da presença de pessoas no local, tampouco foram avistadas marcações na mata durante o percurso”, o que demonstrava não existir sinais de violência, luta ou tentativa de fuga.

O homem, com cerca de 60 anos, foi encontrado morto em uma de suas cabanas de palha na Terra Indígena Tanaru, em Rondônia.

A identificação do “Índio do Buraco” ocorreu há mais de 20 anos pela ambientalista Ivaneide Bandeira. Com sua morte, está oficialmente extinta mais uma etnia indígena no Brasil. Ele era o último representante de uma etnia desconhecida.

O apelido “Índio do Buraco”, que o tornou famoso em todo o mundo através dos jornais, ocorreu após raríssimas imagens gravadas pela Funai filmá-lo de uma longa distância, em 2018. Posteriormente, evidenciaram uma de suas moradias: um buraco.

O solitário membro da tribo recebeu o apelido por seu hábito de cavar buracos profundos para prender animais – ou se esconder de forasteiros

Além disso, os buracos também eram usados para prender animais ou para se esconder de pessoas estranhas que tentassem passar perto de sua área. Ele vivia completamente sozinho há quase 30 anos, desde que fazendeiros mataram os integrantes de sua etnia, em 1995.

“Os índios isolados que viviam na região foram alvos de diversos ataques durante as décadas de 1980 e 1990. Assim, o grupo do índio, que já era pequeno, acabou dizimado, deixando como único sobrevivente o homem, que tinha como característica marcante escavar buracos dentro das palhoças onde vivia”, disse trecho de um texto jornalístico da Agência Brasil.

O homem foi visto pela última vez em vídeo, em 2018, cortando uma árvore com uma ferramenta parecida com um machado

A Funai acredita que a morte se deu por causas naturais, o que será analisado e confirmado através de laudo médico de um legista da Polícia Federal.

Segundo o New York Post, após 2018, ele nunca mais foi encontrado pela Funai, apenas os vestígios de onde ele passava. Evidências sugerem que o “Índio do Buraco” sobreviveu plantando milho e mamão, além de caçar pequenos animais.

O jornal norte-americano consultou Fiona Watson, diretora da Survival Internacional (organização não-governamental internacional que defende os povos indígenas ao redor do mundo), para comentar sua morte.

O último membro da tribo desconhecida foi morto em 1995, e o único sobrevivente resistiu a qualquer contato com o mundo exterior nos últimos 26 anos

“Ninguém sabia o nome desse homem ou mesmo muito sobre sua tribo — e com sua morte o genocídio de seu povo está completo. Isso foi de fato um genocídio — a exterminação deliberada de um povo inteiro por criadores de gado famintos por terra e riqueza”, afirma Fiona.

“Só podemos imaginar os horrores que ele testemunhou em sua vida e a solidão de sua existência depois que o resto de sua tribo foi morta, mas ele resistiu com determinação a todas as tentativas de contato e deixou claro que só queria ser deixado em paz”, finalizou. 

Fonte(s): New York Post / Funai Imagens: Reprodução / Funai

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