Há um “cemitério” de naves espaciais escondido em meio ao oceano. Aqui está o que existe lá embaixo!

de Merelyn Cerqueira 0

Chamamos de Ponto Nemo o polo de inacessibilidade da Terra. Em outras palavras, o local mais remoto de nosso planeta.  

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Considerando tais características, o local está a 2.250 quilômetros de distância de qualquer ponto terrestre. É perfeito para despejo de naves inativadas. Isso explica porque a NASA resolveu chamá-lo de “cemitério de espaçonaves”.  

“Está localizado no Oceano Pacífico e é praticamente o lugar mais distante de qualquer civilização humana que você possa encontrar”, disse a NASA. Bill Ailor, engenheiro aeroespacial, é especialista em reentrada atmosférica. Ele colocou a situação de outra forma: “É um ótimo lugar para jogar as coisas sem bater em nada”. 

Para usar o cemitério, agências são obrigadas a analisar as chances de um acidente ocorrer. Satélites menores geralmente não são lançados no Ponto Nemo. Conforme explicado pela NASA, eles queimam na atmosfera antes de chegar no planeta. 

O problema, no entanto, são os objetos maiores, como a Tiangong-1. A primeira estação espacial chinesa, que foi lançada em setembro de 2011 e em 2016 perdeu comunicação com a Terra.  

A China, que não tinha controle sobre sua nave de mais de 7 toneladas, estava preocupada, já que ela poderia cair a qualquer momento, e ninguém tinha certeza se ela cairia no Ponto Nemo. 

A zona de despejo para naves “que não servem mais”

Para termos noção de distância, astronautas que vivem na Estação Espacial Internacional (ISS) estão mais perto do Ponto Nemo do que qualquer outra pessoa. A ISS orbita a cerca de 360 km de distância da Terra. Então, quando sobrevoa a remota região do Pacífico, consegue ficar mais próximo do ponto.

Entre 1971 e meados de 2016, agências de todo mundo despejaram pelo menos 260 veículos espaciais no Ponto Nemo, de acordo com a Pop Science. Essa contagem aumentou significativamente desde 2015, quando 161 naves foram despejadas ali.

Elas estão sob mais de três quilômetros de água, junto a modelos de naves que datam a era soviética, incluindo a nave MIR, mais de 140 veículos de reabastecimento russos, diversos cargueiros da ESA (Agência Espacial Europeia), incluindo o Jules Verne ATV, e até mesmo um foguete da SpaceX. 

No entanto, embora em teoria estejam no mesmo lugar, essas naves não estão exatamente juntas. Segundo Ailor, um objeto grande como Tiangong-1, pode se desintegrar em uma forma oval de detritos que se estenderão por 1600 km de comprimento e dezenas de quilômetros de largura.

Enquanto isso, a zona livre ao redor do Ponto Nemo, se estende por 17 milhões de quilômetros quadrados. Logo, prestar condolências a um item específico ali não é exatamente fácil.

Embora nem todas as naves “inativas” acabem neste cemitério, as chances de que sejamos atingidos por seus detritos são pequenas, independentemente de onde caia. “Não é impossível”, disse ele, exemplificando com um incidente que ocorreu em Oklahoma, nos EUA.

Um detrito caiu no ombro de um morador. Segundo ele, o risco maior é deixar a espaçonave na órbita da Terra, o que caracteriza um perigo conhecido como lixo espacial.

O problema do lixo espacial

Atualmente, 4.000 satélites orbitam nosso planeta a diferentes altitudes. Embora haja espaço para centenas de outros, quando consideramos o lixo espacial, podemos dizer que a região está lotada. 

Isso porque, além de satélites, há milhares de detritos de foguetes e naves descontroladas orbitando nosso planeta, junto a 12 mil objetos artificiais maiores do que um punho. Isso sem mencionar os incontáveis parafusos, lascas de tintas e pedaços de metal. 

“Os países aprenderam ao longo dos anos que, quando criam detritos, apresentam um risco para seus próprios sistemas, assim como para todos os demais”, disse Ailor. 

O pior tipo de risco, segundo a ESA, é quando um pedaço de lixo espacial atinge outro pedaço, especialmente se são grandes, porque provoca a liberação de incontáveis fragmentos que podem ameaçar satélites em órbita. Esse tipo de colisão é algo raro, e ocorreu apenas em 1996, 2009 e duas vezes em 2013. 

Tirar essas naves inativas de órbita é chave para evitar a formação do lixo espacial. Mas, Ailor acredita que o aterro dentro do mar pode representar uma ameaça. Especialistas estão pressionando agências para o desenvolvimento de tecnologias e métodos para retirar o que está sob o mar. 

No entanto, a situação não é tão simples. Isso porque evolve política de propriedade. Por exemplo, nenhuma outra nação tem permissão para tocar um satélite norte-americano.

“Tal ato pode ser considerado até mesmo um ato de guerra”, disse. Ailor acrescentou que as nações devem se unir para chegar a um acordo.

Fonte: Science Alert Fotos: Reprodução / Science Alert

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