Cochonilha: iogurtes, doces, bolachas e cosméticos. Você usa e come corante de insetos há décadas

O corante natural carmim é extraído do inseto cochonilha e tem forte cor vermelha que dá tom de “morango” para centenas de produtos industriais

de Redação Jornal Ciência 0

Segundo diretrizes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), é permitida a presença de matérias estranhas dentro de um produto industrial, uma vez que, inadvertidamente, isso pode ocorrer durante o processo de manipulação ou fabricação.

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Na fabricação de chás, cafés, e em uma infinidade de outros produtos, a Anvisa permite que tenha uma certa porcentagem de partículas de insetos e pelos de roedores, sem que isso cause danos à saúde do consumidor.

A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC 14) de 2014, determinou que um fragmento de pelo de roedor pode ser encontrado a cada 100 gramas de chocolate ou a cada 10 gramas de molho de tomate, de acordo com o jornal O Tempo.

Agora, se o assunto for “pedacinhos de insetos”, são permitidos de 75 a cada 50 gramas de farinha. Se for chá de menta ou hortelã, são tolerados até 300 fragmentos de insetos a cada 25 gramas de chá.

Está chocado? Bem… Tudo isso está dentro da lei. O consumidor sempre pode procurar os órgãos de defesa e a Justiça para reparação, caso sinta-se lesado, mas a Anvisa tem sim limites toleráveis para tudo isso, sem que dê multas ou recolha lotes dos produtos, desde que os fragmentos estejam dentro dos limites estabelecidos.

Voltando ao inseto cochonilha (espécie Dactylopius coccus), o uso do corante carmim está presente na indústria há várias décadas e pouquíssimas pessoas sabem disso. Não só em alimentos. A indústria de cosméticos é apaixonada pelo corante natural carmim, usado amplamente em maquiagens, como batons.

O carmim de cochonilha tem uma cor especial, um tom que consegue dar vivacidade para todo tipo de produto industrial. É usado em doces em geral (não apenas os que imitam morango, mas também tons de laranja, roxo, rosado e vermelho), bolacha recheada, iogurtes, embutidos, linguiças e salames, refrigerantes, produtos de beleza, hidratante labial, roupas, algodão… A lista é longa!

A cochonilha (espécie Dactylopius coccus) é uma praga de jardim. Se você já teve cacto grande em casa, já deve ter percebido aqueles “bichinhos brancos” amontoados nos cantos. Eles são as famosas cochonilhas.

Por fora parecem brancas, mas ao ser esmagadas, liberam uma intensa cor vermelha, seu famoso corante carmim. A produção é feita através de secagem e usa somente as fêmeas, porque não podem voar.

O corante natural carmim é utilizado amplamente na indústria porque sua cor, além de versátil, é extremamente estável, segura, possui longa duração e praticamente não é afetada pelo calor ou luz solar.

Isso é considerado algo “especial” porque não ocorre com corantes artificiais, que geralmente interagem com luz e oxigênio, necessitando de mais aditivos para serem protegidos e manterem a cor estável, além de alguns serem potencialmente cancerígenos.

História

O corante de cochonilha é utilizado desde a antiguidade. Foi descoberto pelos Maias e, posteriormente, usado pelos Astecas há mais de 5 séculos. Embora a expressão “corante natural” confunda muita gente, ele realmente se refere a um inseto.

Diferente de muitos corantes artificiais, o carmim de cochonilha não causa câncer, não é tóxico e não danifica o meio ambiente. No geral, ele tem excelente histórico de segurança alimentar com séculos de uso.

As cochonilhas são nativas da América Latina e vivem naturalmente entre os cactos. No Peru, são cultivadas em larga escala, onde milhões de insetos são coletados para fornecer corante para o mundo.

São necessários 70.000 insetos cochonilha esmagados, fervidos, secos e triturados para produzir 450 gramas do corante. O Peru é o maior produtor mundial de carmim de cochonilha, com 95% de participação do mercado global.

Infelizmente, as pessoas não recebem bem essas informações e a indústria precisa “mascarar” a verdade nos rótulos.

Se você procurar por “corante natural carmim”, possivelmente nunca irá encontrar, tanto nos alimentos quanto em cosméticos. Geralmente, os fabricantes colocam vermelho 4, vermelho 3, cochineal, corante C.I. 75470, corante E120.

Novas alternativas

O carmim de cochonilha não é um corante barato e não agrada um público crescente, como os veganos. Várias empresas tentam encontrar alternativas que não usem insetos.

Em 2012, a cafeteria Starbucks foi obrigada a parar de usar o carmim de cochonilha, segundo informação da BBC, depois que os clientes souberam que o corante era usado nos cafés gelados, smoothies e bolos. A empresa prontamente trocou o corante de insetos pelo licopeno — um corante natural antioxidante extraído do tomate.  

Alternativas são usadas, mas frustradas. O corante da beterraba, chamado betanina, não resiste à luz, calor e oxigênio, sendo utilizada apenas em alimentos com prazo muito curto de validade ou congelados.

Por outro lado, é importante salientar que a cochonilha é cultivada por agricultores extremamente pobres no Peru. Gerações inteiras de famílias são sustentadas, há séculos, com o comércio do corante e dependem diretamente desse cultivo para sobreviver.

Fonte(s): O Tempo / BBC Imagens: Reprodução / Redes Sociais

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