Cientista sugere que alimentos calóricos não tenham embalagens chamativas

de Merelyn Cerqueira 0

De acordo com um premiado cientista, alimentos gordurosos e açucarados, ou seja, junk food, devem ser vendidos em embalagens não chamativas para evitar que as pessoas comam em excesso.

 

Com a obesidade se tornando um problema cada vez maior, o pesquisador alertou que um tratamento semelhante ao oferecido ao cigarro deveria entrar em vigor. A sugestão foi feita por Wolfram Schultz, professor de Neurociências na Universidade de Cambridge e Prêmio Nobel junto a dois colegas, Peter Dayan do University College de Londres, e Ray Dolan, diretor do Max Planck UCL Centro de Computação Psiquiátrica e de Envelhecimento, por uma pesquisa sobre o cérebro. Ele basicamente fala sobre uma proibição de anúncios ou propagandas que encorajem a ingestão desnecessária de calorias.

 

Deve haver alguma maneira de regular o desejo de se obter mais calorias”, disse ele. “Não precisamos delas”. Embalagens coloridas em alimentos de alta energia naturalmente nos fazem querer comprar e comer sempre mais”, acrescentou. Segundo o cientista é importante reduzir esses níveis de tentação já em nosso ambiente, uma vez que “não podemos ir contra a natureza do cérebro que é nos fazer feliz enquanto comemos mais”.

 

A questão do sentimento de felicidade e recompensa é estudada por ele há 30 anos, desde quando fazia parte da Universidade de Friburgo, na Suíça. Sua equipe descobriu que a dopamina estava no centro de controle dessa sensação. Este é um processo biológico que nos faz querer comprar um carro ou casa maior, ou ser promovido no trabalho”, explicou. “Toda vez que recebemos uma recompensa, os neurônios de dopamina afetam nosso comportamento. Eles são como pequenos diabinhos em nosso cérebro que nos levam a querer sempre mais”.

 

A premiada pesquisa dos cientistas levou a uma melhor compreensão de doenças como a Parkinson, por exemplo, com os pacientes recebendo medicamentos para aumentar seus níveis de dopamina no cérebro. A sugestão sobre a proibição da publicidade envolvendo alimentos calóricos foi saudada por ativistas de saúde pública, enquanto críticos disseram que se toda situação se tratava de “bancar a babá”, com o estado se preocupando demais com questões específicas.

 

Para Duncan Stephenson, Diretor de Assuntos Externos da Sociedade Real para Saúde Pública, do Reino Unido, a pesquisa é planejada para vermos que vivemos em um ambiente onde escolhas insalubres e alimentos não saudáveis são empurrados quase que agressivamente aos consumidores, e que o mesmo não ocorre com alternativas saudáveis.

 

Através do marketing de junk food que vemos na TV, somos bombardeados com ofertas e embalagens chamativas”, disse. “Qualquer inciativa que possa ajudar a compensar um equilíbrio e nos fazer optar por escolhas mais saudáveis deve ser explorada”. A introdução de embalagens simples para alimentos ricos em gordura, sódio ou açúcar pode ser mais complexa do que para o tabaco, mas certamente acreditamos que vale a pena investir para entendermos melhor o impacto que elas têm sobre a percepção dos consumidores”, acrescentou.

 

Já para Dr. Giles Yeo, principal pesquisador do Departamento de Bioquímica Clínica na Universidade de Cambridge, a inciativa é aceitável, mas passiva de funcionar apenas parcialmente. Eu concordo com Wolfram de que temos de corrigir o problema da obesidade e, nesse aspecto, a embalagem simples pode ter um papel a desempenhar”, disse. “No entanto, como em qualquer outra intervenção dessa natureza, ela provavelmente só funcionará com algumas pessoas e não para todas”.

 

Isso não vai impedi-las de sentir fome, então vão continuar a comer”, continuou. “O desafio é identificar pessoas que irão responder bem a um tratamento/intervenção, e isso ainda não pudemos fazer”, acrescentou. Contudo, para Christopher Snowdon, diretor de Economia de Estilo de Vida no Instituto de Assuntos Econômicos, a ideia é uma “montanha escorregadia em ação”.

 

Era inevitável que houvesse demandas para que alimentos e álcool fossem colocados em embalagens simples, uma vez que o governo fez o mesmo com o tabaco”, disse. “Pessoas sensatas advertiram que isso ira acontecer. Fomos ignoradas, mas agora estamos nos provando corretas”.

[ Daily Mail ] [ Fotos: Reprodução / Max Pixel

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