Através de análises e sequenciamento de genomas, cientistas da Universidade Pompeu Fabra, na Espanha, descobriram a existência de um novo e misterioso ancestral humano, resultante da migração da África para Austrália. Eles estudaram o DNA de aborígenes australianos, papuas e pessoas das Ilhas Andaman e da Índia continental para descobrir que nenhuma das peças encontradas em seus genomas correspondia a qualquer espécie de hominídeo já registrado.
Trata-se dos primeiros colonizadores humanos que chegaram na Austrália depois que nossa espécie deixou a África cerca de 60.000 anos atrás. Logo, ao que tudo indica, os antepassados dos aborígenes modernos e indígenas de Papua Nova Guiné e de partes da Índia tiveram encontros íntimo com outras espécies de humanos primitivos do que antes acreditávamos.
Acredita-se que o Homo sapiens tenha aparecido pela primeira vez na África cerca de 150.000 anos atrás. Depois disso, cerca de 100.000 anos depois, eles deixaram sua terra natal em pequenos números, viajando primeiramente em direção à Ásia, em seguida cursando o Estreito de Beiring, para depois colonizar as Américas.
Pesquisas anteriores, que olharam para os genomas de pessoas modernas, mostraram que os hominídeos da Ásia-Pacífico acasalaram com duas outras espécies diferentes, os Neandertais e os Denisova. Agora, uma terceira espécie foi encontrada, e sugere que a saída da África ocorreu em um único evento, resultando em uma origem comum para todas as populações da região Ásia-Pacifico.

Há muito que os cientistas mapeiam o aparecimento de marcadores genéticos em povos modernos para entender melhor como os seres humanos antigos se locomoveram no planeta. “Nós mostramos que as populações do Sul e Sudeste da Ásia abrigam uma pequena proporção de ascendência de um hominídeo extinto desconhecido cuja ascendência está ausente em europeus asiáticos do Leste”, escreveram os pesquisadores na revista Nature Genetics.
“As pessoas têm especulado sobre haver mais antepassados humanos e eles serem ramificações do Homo heidelbergensis”, disse Partha Majumder, diretor do Instituto Nacional de Biomedicina Genômica (NIBMG). Os neandertais, denisovas e humanos modernos são todos considerados descendentes do Homo heidelbergensis, que surgiu na Etiópia cerca de 600.000 anos atrás.
“O que nós temos sido capazes de mostrar é uma forte possibilidade de que haja pelo menos mais um ancestral”, disse ele. “Os restos deste hominídeo extinto ainda não foram recuperados, mas os nossos resultados fornecem evidências definitivas de que o Homo heidelbergensis deu origem a múltiplas linhagens, e não apenas os neandertais e os denisova”.
Para o Professor Jaume Bertranpetit, da Universidade Pompeu Fabra, o hominídeo misterioso pode ser o Homo erectus, que viveu na Ásia há 1,8 milhão e 33 milhões de anos atrás, mas no momento, ainda não há evidências que comprovem essa teoria. Em um estudo separado, os pesquisadores examinaram um conjunto de pegadas de 1,5 milhão de anos de idade descobertos no Quênia, revelando uma nova visão sobre como essa espécie se movia e interagia. Logo, constataram que eles tinham comportamentos semelhantes aos dos seres humanos modernos.

Antes acreditava-se que o Homo erectus fora a primeira espécie a se tornar um verdadeiro viajante global, já que migraram da África para Eurásia, Geórgia, Sri Lanka, China e Indonésia. O tamanho dele variava entre 1,5 e 1,8 metro de altura, com um cérebro maior e mais pesado do que os nossos. Também se supõe que ele tenha sido um fator chave para nossa evolução e possa ter vivido em sociedades de caçadores coletores – evidências sugerem que usavam fogo e produziram ferramentas básicas com pedras.
Estima-se que tenha desaparecido cerca de 70.000 anos atrás, dando origem a uma série de diferentes Homo heidelbergensis e Homo antecessor.
[ Daily Mail ] [ Fotos: Reprodução / Daily Mail / Wikipédia ]