De acordo com a religião do Zoroastrismo, quando uma pessoa morre, seu corpo se torna impuro, pois além de seus órgãos apodrecerem, a pessoa se torna refém de espíritos malignos.
Por esse motivo, a religião não aceita que após a morte, o corpo seja enterrado, cremado ou jogado ao mar, já que pode contaminar elementos como a terra, o ar ou a água.

Para purificar esse corpo, eles realizam um rito religioso existente há 3 mil anos, chamado dokhmenashini. O processo consiste em colocar o corpo no interior de uma torre chamada de dakhma. Durante o ritual, o corpo está exposto às condições do tempo e aos urubus, para que a pessoa seja devorada pelo animal até que sobrem apenas os ossos.
Uma Torre do Silêncio consiste em uma estrutura circular sem teto com apenas uma entrada trancada por um cadeado. A estrutura possui uma parede com cerca de 5 metros de altura e 90 metros de circunferência. No seu interior, há três círculos concêntricos em que os corpos são deixados. O mais próximo do exterior é destinado aos homens; o central às mulheres e no círculo interior, às crianças.

A Torre possui um poço central em que os ossos são colocados para secar, até que se tornem restos mortais. Depois, esta matéria escorre por quatro canais que ficam em volta do dakhma. No fundo das estruturas, é possível encontrar camadas de areia e carvão, que ajudam na filtração de impurezas que contaminam o solo. Por último, os ossos são armazenados no ossuário, que fica no entorno da Torre.
Cerca de uma centena de urubus famintos são capazes de devorar um corpo em meia hora. Essa prática elimina os restos “impuros” de forma rápida, ecológica e segue outra crença do zoroastrismo: a de que os olhos dos abutres são místicos, por isso ajudam a transição cósmica das almas dos falecidos. Além disso, a prática também é considerada uma caridade, já que ajuda na alimentação de animais.
A religião surgiu no Irã, mas desde 1970 é considerada ilegal a prática do dokhmenashini no país, devido à proximidade das Torres do Silêncio com os centros urbanos criados durante o século XX. As Torres existentes no local são apenas para visitação.
Em outros países
O ritual continua vivo na Índia, mas a prática passa por um declínio, já que a população de urubus está desaparecendo, devido ao crescimento dos grandes centros e pela versão animal da substância diclofenaco, que era aplicada nos bovinos da cidade.
Quando os bois morriam e as aves de alimentavam deles, as substâncias eram disseminadas. Em 2006, a droga foi proibida, porém 95% da dos abutres sofreu danos. Devido ao problema, algumas alternativas foram pensadas para o local. Os zoroastrianos construíram concentradores solares, capazes de ressecar os cadáveres, evitando a putrefação ou o enterro dos corpos.
[ The Guardian ] [ Fotos: Reprodução / The Guardian / Wikimedia ]