Marina Chapman, a mulher que alega ter sido criada por macacos

de Merelyn Cerqueira 0

Marina Chapman tinha apenas quatro anos quando foi arrancada da casa dos pais, na Colômbia, e largada sozinha no meio de uma densa floresta na região. Sem ninguém a quem recorrer, a ajuda, segundo alega, veio da maneira mais incomum e inesperada já relatada na História.

 

Sem saber muito sobre sua infância, antes de ter sido sequestrada, ela acredita ter nascido entre algum momento da década de 1950. Como não sabia o nome que recebeu dos pais, optou por se chamar Marina.

Ela conta que, pouco antes de seu aniversário de cinco anos, brincava na horta dos pais, colhendo ervilhas, quando um braço forte a empurrou para trás e colocou um pano cheio de clorofórmio em sua boca. A última coisa que se lembra antes de desmaiar, era de duas pessoas a colocando na parte de trás de uma van, bem como a sensação de que não veria os pais novamente. Apesar de parecer “fantasioso”, na Colômbia milhares de pessoas foram sequestradas no auge das Forças Revolucionárias da Colômbia (FARC), onde ficavam anos com os militantes nas florestas ou eram mortos posteriormente.

 

Quando recobrou brevemente a consciência, se viu presa na parte de trás da van com um grupo de crianças desesperadas, até que desmaiou novamente, acordando apenas após sentir a sensação de “tapas no rosto”, o que verificou se tratar de enormes folhas.

Ainda confusa, não conseguiu distinguir os detalhes das pessoas com que estava, que começaram a correr, aparentemente com medo de alguma coisa. Assim, jogaram-na no chão da floresta e desapareceram. As FARC tinham como premissa abandonar sequestrados caso fossem encurralados pela polícia ou exército. Embora ela não saiba de fato quem a sequestrou ou que grupo, nem o motivo, cogita-se que possa ser este grupo, que tinha forte domínio sobre todo o país à época – inclusive influência política.

 

Assustada, com fome e sozinha, Marina cavou uma pequena trincheira perto de um tronco de árvore e dormiu. Ela acordou na manhã seguinte com o sol batendo em seu rosto e, quando conseguiu abrir bem os olhos, se viu completamente cercada por macacos. Ela alega que um dos animais chegou a jogar uma fruta em sua direção, na intenção de alimentá-la.

As primeiras semanas que passou na floresta colombiana foram transformadas em meses e em seguida anos. Marina afirma que cresceu com a ajuda dos primatas e que era tratada como parte da família, atribuindo sua sobrevivência a eles. No entanto, posteriormente, ela acabou sendo despojada do grupo, após um grupo de caçadores invadir o lugar. Os macacos fugiram e muitos se dispersaram, deixando-a sozinha.

 

Agora com 10 anos, ela observava a maneira como os caçadores abriam caminho entre a vegetação. No meio deles conseguiu avistar uma mulher, que parecia mais gentil, o que lhe deu coragem para se aproximar do grupo.

Os caçadores não acreditavam no que viam. A pele da menina estava coberta grossas camadas de sujeira, ela andava sobre os quatro membros e seus cabelos eram tão grandes quanto o próprio corpo. Marina então foi retirada da floresta e levada para a cidade colombiana de Cucuta. No entanto, sua infância difícil estava muito longe de acabar.

 

O grupo deixou Marina em um bordel nos arredores da cidade, onde foi vendida para uma mulher chamada Ana Karmen. Chapman não sabe ao certo por quanto tempo viveu com Ana Karmen, apenas que sua vida era miserável, até que fugiu.

Desabrigada, ela se uniu a um grupo de crianças sem teto, que lhe garantiu proteção e comida. Com o passar dos anos, ela conseguiu o primeiro emprego, atuando como empregada doméstica. O problema, no entanto, é que a casa onde trabalhava viviam criminosos, que a escravizavam. Ela conseguiu se libertar com a ajuda de uma vizinha, chamada Maruja, que a levou para viver em Bogotá e posteriormente Bradford, na Inglaterra.

 

Junto com Maruja, Marina aprendeu o que era amor e carinho. Assim, se apaixonou por um inglês chamado John, com quem se casou e teve duas filhas. Hoje avó de dois netos, ela escreveu um livro (A Menina Sem Nome), em que relata sua vida, incluindo a parte em que foi criada por macacos – embora a autenticidade de sua história não tenha convencido muita gente e muitos desconfiam da veracidade das afirmações.

 

Em uma entrevista feita ao The Guardian em 2013, Marina afirmou seu desejo de voltar à Colômbia para rastrear sua família, a fim de ter uma maior noção sobre seu passado, bem como a vontade de revisitar a região de selva onde passou parte da infância. Um sonho, segundo ela, é reencontrar os macacos com quem viveu para saber se é possível eles ainda se lembrarem de sua existência.

[ The Telegraph / The Sun ] [ Fotos: Reprodução / The Sun ]

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