Se uma paciente com câncer de mama doar um rim, estará transferindo a doença para o paciente receptor?

de Otto Valverde 0

Helen Webster, 49, queria ajudar alguém que estava desesperado por um transplante de rim e decidiu doar o seu. Mas, após três meses da cirurgia, descobriu que estava com câncer de mama e desde então, sua vida se tornou um pesadelo.

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Enquanto está se tratando contra o câncer de mama, ela faz exaustivos exames para saber se células do câncer se espalharam para outras partes do corpo. Os médicos confirmaram que não conseguiram detectar a presente de câncer nas duas mamografias anteriores que Webster havia feito. Também não foi detectado câncer durante um ano de exames a qual ela se submeteu para ser doadora de um rim.

Sua maior preocupação é que, sem querer, tenha doado células do câncer para o paciente receptor de seu rim. Mas, a professor Karol Sikora, do Cancer Partners, no Reino Unido, garantiu em entrevista ao Daily Mail que as chances de um câncer ser passado neste caso é “quase zero”, embora exista.

Webster já retirou o seio esquerdo em uma cirurgia de mastectomia. Ela disse: “Se é racional ou não, o medo de que eu tenha dado o meu câncer para um estranho me assusta. Se eu tivesse recebido um rim de alguém com câncer, eu gostaria de saber. Eu apenas senti que era algo que eu deveria fazer para beneficiar alguém. Há tantas pessoas querendo ajuda para continuarem a viver sem gastar toda a vida em máquinas de hemodiálise, mas foi uma experiência traumática e uma montanha-russa para mim”. 

Um câncer pode ser transmitido em um órgão transplantado?

A oncologista Karol Sikora comentou que essa chance é “quase zero”. No entanto, ela disse que Webster tem razão em se preocupar.

Não é uma pergunta estúpida. Isso pode acontecer, embora seja muito raro. Esses casos geralmente ocorrem quando o doador não está vivo e não se sabe se existe câncer, pois a pessoa pode ter morrido em um acidente de carro, por exemplo”, disse. Geralmente, se um paciente morre em um acidente de carro, ela não é reconhecidamente portadora de câncer e a transferência pode ocorrer, segundo ela.

Se o câncer não se espalhou para os gânglios linfáticos, as chances de alguém passar um câncer ainda vivo são mínimas. As chances de um câncer de mama atingir os rins são ainda menores. As células do câncer de mama não “gostam” de viver nos rins”, disse.

Ela ainda salientou que, infelizmente, não há nenhuma maneira de um cirurgião fazer uma varredura em um dos rins – não existe nenhuma forma de receber este órgão e testar para saber se tem câncer através de células que tenham penetrado o órgão.

[ Daily Mail ] [ Foto: Reprodução / Daily Mail ]

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