Qual o verdadeiro motivo para a rainha Elizabeth II ser enterrada em caixão de chumbo? Entenda a origem macabra da tradição

Não apenas a rainha, mas outros membros da realeza, como a princesa Diana e o príncipe Philip também tiveram que ser enterrados com o mesmo tipo de caixão; entenda

de Redação Jornal Ciência 0

A morte da rainha Elizabeth II, do Reino Unido, é o assunto mais comentado em todo o planeta nos últimos dias. Junto com as notícias, veio à tona uma série de tradições “estranhas” envolvendo a realiza britânica — incluindo o caixão do sepultamento.

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Quando um rei ou rainha da Inglaterra morre, uma série de eventos precisam ocorrer em cadeia e em sequência. O primeiro-ministro é informado através de telefonema para escutar a frase “a ponte de Londres caiu”.

Este é um tipo de código para não dizer, diretamente, sobre o falecimento de um monarca. Além disso, existe a necessidade obrigatória de 10 dias de luto oficial, com muitas cerimônias durante este tempo.

Um dos exemplos mais notáveis sobre as extravagâncias dos rituais a serem seguidos foi a necessidade de informar para as abelhas que vivem no palácio de Buckingham que a rainha Elizabeth II havia falecido.

O apicultor real, John Chapple, andou entre as colmeias nos terrenos do palácio e da Clarence House — residência oficial anterior de Charles, como príncipe de Gales — para colocar fitas pretas nas colmeias e informar (sim, falar com elas) sobre a morte da rainha.

O apicultor precisa dar uma batidinha em cada colmeia e dizer: “A Senhora está morta, mas não vão embora. Seu mestre será bom com vocês”.  

Em entrevista à imprensa internacional, o apicultor explicou o motivo do ritual: “A pessoa que morreu é o mestre ou senhora das colmeias — alguém importante na família. E não há ninguém mais importante do que a rainha, não é?”, explicou Chapple.

Mas, por que um caixão de chumbo?

A rainha Elizabeth II será enterrada em um caixão forrado de chumbo, da mesma forma que ocorreu com a princesa Diana e o príncipe Philip, que também foram enterrados em caixões com características semelhantes.

Na verdade, o caixão da rainha está pronto há 32 anos, de acordo com informações do jornal londrino The Times. Ele é feito com uma madeira raríssima para os dias atuais, um tipo de carvalho inglês. Logo depois, o caixão é forrado com chumbo.

A Leverton and Sons, empresa responsável pelo funeral real, informou que quando começaram a trabalhar para a realeza britânica, em 1991, foram entregues 2 caixões com as mesmas características (o príncipe Philip foi enterrado em um deles), mas eles não têm informações de quem foi a pessoa ou empresa responsável por produzi-los.

A prática de colocar (postumamente) a realeza em caixões forrados com chumbo remonta há centenas de anos, em uma tradição das monarquias.

Durante séculos, reis, rainhas, príncipes e princesas foram colocados em caixões de chumbo para melhor preservar seus corpos. A tradição vem de uma época em que os métodos modernos de preservação ainda não estavam disponíveis — o uso de formol para preservar corpos não foi descoberto antes de 1869.

A decomposição é, obviamente, algo que afeta a todos, da mais importante rainha da nossa era até a pessoa mais simples sem título de nobreza.

O chumbo ajuda evitar situações embaraçosas, como a que ocorreu no caso do primeiro rei da Inglaterra, Guilherme I, O Conquistador — que governou de 1066 até sua morte, em 1087. O rei Guilherme I sofreu uma lesão enquanto cavalgava em uma batalha que perfurou seus intestinos.

Enquanto morria lentamente, as pessoas ao redor, que faziam parte de sua vida — mas que não foram bem tratadas por ele, incluindo seu filho, com quem estava em guerra — decidiram não assumir o compromisso de organizar seu funeral.

Depois que ele morreu, seu corpo foi deixado em decomposição em uma laje de pedra enquanto esperavam por alguém para se voluntariar a enterrá-lo.

Eventualmente, um cavaleiro assumiu a responsabilidade e transportou o corpo por 112 quilômetros até Caen — uma comuna francesa na região da Normandia — para ser enterrado, enquanto o corpo continuava a se decompor.

A situação, por si só, era muito humilhante para um corpo que um dia já foi de um rei e seu processo de decomposição acelerava, acumulando gases durante a longa viagem.

Ao chegar em Caen, um incêndio na cidade aqueceu o corpo do cadáver, aumentando a quantidade de gases cadavéricos. No dia do funeral, estava tão inchado de gases que não cabia no sarcófago. Os coveiros, desesperados e sem saberem o que fazer, tentaram empurrá-lo de qualquer maneira dentro do caixão.

Caixões de chumbo da antiguidade usados para mulheres e crianças

Foi neste momento que o corpo explodiu, e “as entranhas inchadas estouraram, e um fedor intolerável invadiu as narinas dos espectadores mais importantes e de toda a multidão”, segundo o monge beneditino Orderic Vitalis, que deixou por escrito o relato ocorrido, em documentos históricos.

Os membros da realeza que morreram após Guilherme I tiveram um fim mais digno, graças ao método de colocar o corpo em caixões de chumbo, o que significava preservar o corpo por até um ano a mais do que se fosse em caixões padrão.

Os caixões revestidos de chumbo retardam a decomposição do corpo, mantendo a umidade fora do caixão. O chumbo não se decompõe e, portanto, permanece hermético, evitando a putrefação rápida e a liberação de odores e gases.

Os caixões de chumbo ou com revestimento deste metal eram caríssimos, por séculos, em toda a Europa, acessível apenas para os mais ricos. No entanto, até os dias atuais, a Europa e o Reino Unido exigem legalmente este tipo de caixão para qualquer corpo que seja sepultado acima do solo.

Fonte(s): France 24 / IFLScience / IFLScience Imagens: Reprodução / The Royal Family via Twitter / Pexels

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