Primeiro acidente fatal envolvendo carro com piloto automático é relatado

de Merelyn Cerqueira 0

Autoridades dos Estados Unidos estão investigando um incidente fatal envolvendo um carro semiautônomo no início deste ano.

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Os detalhes do trágico acontecimento só foram a público recentemente e se refere a um modelo Tesla S, do proprietário Joshua Brown. Supõe-se que o carro em questão, através do piloto automático, seja confiável a orientar-se ao longo de estradas, reagir ao tráfego, mudar de faixa, sem a ajuda humana.

O acidente em questão ocorreu devido a uma falha no momento de distinguir o céu com a tinta branca de uma trator-reboque. No caso, a parte superior do veículo foi arrancada pela força da colisão. Embora o motorista do caminhão não tenha se machucado, Brown acabou morrendo e o caso está sendo investigado pela National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), que abriu um inquérito sobre o acidente.

Carro autopilotável Tesla S. Foto: Divulgação.
Carro autopilotável Tesla S. Foto: Divulgação.

A última vez que um carro autônomo se envolveu em uma colisão, foi quando um dos modelos do Google, os chamados Google Driverless Car, colidiu lentamente com um ônibus, causando poucos danos ao veículo e nenhuma vítima ou feridos. Esse novo incidente, no entanto, muito mais grave, marca um ponto ruim para a iniciativa desse tipo de carros, liderados pelo Tesla e Google.

É importante ressaltar que a ação da NHTSA é simplesmente uma avaliação preliminar para determinar se o sistema funcionou de acordo com as expectativas”, disse a equipe da empresa Tesla em um comunicado no site, antes de mencionar que o recurso de piloto automático estava ainda em fase de testes. “Quanto mais quilômetros se acumulam […] esses eventos serão cada vez mais raros […]”.

A empresa ainda ressalta que não é errado afirmar que os carros que se dirigem sozinhos são mais seguros do que os modelos convencionais. Em 2010, 2,24 milhões de acidentes foram relatados apenas nos EUA, tendo o erro humano como fator principal. Nestes eventos, cerca de 35.332 vidas foram perdidas. Logo, nos carros de autocondução esses números seriam reduzidos a quase zero.

Carro automático do Google. Foto: Divulgação
Carro automático do Google. Foto: Divulgação

No entanto, o novo incidente revela o que pode acontecer quando há o menor erro de programação em um software no computador de bordo. Brown poderia ter agarrado o volante e o substituído para o modo manual, se suas reações tivessem sido rápidas o suficiente, para evitar o acidente fatal.

Uma preocupação mais “sombria”, é quando se considera dar o carro uma posição de escolha moral. Por exemplo, o que aconteceria se ele tivesse que optar por passar sobre uma multidão de pedestres, ao invés de arriscar desviar para fora do caminho, a fim de evitar colidir com outros carros ou paredes, apenas para salvar seu passageiro?

De acordo com a IFLScience, essa é uma questão difícil e que ainda não foi resolvida. Esse cenário teria que ocorrer na vida real para que fosse considerado. Por enquanto, a Tesla terá de lidar com as questões judiciais que envolvem o acidente. Afinal, quem exatamente foi responsável pelo acidente? O motorista que ligou o piloto automático, o próprio piloto automático, ou os programadores da Tesla que não previram esse evento específico? Por questões éticas, decidimos não colocar imagens do acidente. 

[ IFL Science ] [ Foto: Reprodução / Facebook ]

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