Por que nossas veias parecem ser azuis se o sangue é vermelho?

de Merelyn Cerqueira 0

Nosso sangue, bem como nossas veias, é vermelho. Mas, por que será que as veias parecem azuis quando as vemos através da pele.

De acordo com professor David Irvin, da Universidade de Tecnologia de Sydney, na Austrália, em um artigo publicado na The Conversation, a reposta para essa pergunta depende de uma série de fatores, incluindo a forma como nossos olhos percebem a cor, como a luz se comporta no momento em que entra em contato com nossa pele e algumas propriedades presentes no sangue.

A luz nada mais é do que uma onda eletromagnética. Ela viaja por meio de comprimento de onda, que é a distância entre um pico de frequência de onda para outro.

Assim, diferentes cores dentro de um espectro de luz possuem ondas de diferentes comprimentos. A luz vermelha, por exemplo, tem um comprimento de onda longo, de cerca de 700 nanômetros, enquanto que a violeta, mais curto, de 400 nanômetros.

Nossos olhos percebem uma cor em particular quando a luz atinge nossos olhos, seja diretamente da fonte ou de maneira refletida. Mas, para entender a aparência da cor de nossas veias, precisamos primeiro pensar sobre o que acontece com os diferentes comprimentos de ondas que atingem nossa pele. 

A luz que atinge nossa pele durante o dia é branca, ou seja, uma mistura de todos os comprimentos de onda visíveis. Mas, para explicar por que nossas veias parecem ser azuis, consideraremos apenas as extremidades vermelha e azul do espectro. 

Porque possui um comprimento de onda longo, a luz vermelha viaja mais facilmente, o que significa que é menos provável de ser desviado por materiais. Logo, ela é capaz de viajar muito bem através da pele e tecidos do corpo, atingindo até 5-10 mm abaixo da pele, que é onde muitas veias estão. 

Assim, quando chega às veias, a luz vermelha é absorvida pelas hemoglobinas (proteína que permite ao sangue ser vermelho). Este fenômeno as vezes é usado pelos médicos para ajudar a encontrar melhor as veias na hora de tirar sangue.

Já a luz azul, que tem um comprimento de onda mais curto (cerca de 475 nanômetros), é espalhada ou desviada muito mais facilmente do que a luz vermelha. Logo, não é capaz de penetrar a pele (apenas uma fração de milímetro). Então, quando essa luz azul atinge a pele, é desviada de volta. 

Dessa forma, se você apontar uma luz azul para a pele, verá que suas veias ficarão mais difíceis de serem encontradas, embora ela ajude a detectar a presença de sangue. Por exemplo, alguns banheiros públicos utilizam esse tipo de luz para desencorajar o uso de drogas intravenosas.

Dito isso, agora imagine a luz vermelha e a luz azul brilhando na pele ao mesmo tempo – como quando acontece no momento em que você está sob luz branca. O que pode ser visto é uma mistura de vermelho, azul e outras cores refletidas de volta, de modo que é impossível vermos as veias. 

Por outro lado, onde há veias, você relativamente enxerga menos a cor vermelha e mais a azul, em comparação com a pele circundante. Isso, basicamente, significa que suas veias aparecerão azul em relação ao resto da pele.  

Curiosamente, esse efeito varia segundo a profundidade e densidade da veia. As mais estreitas e próximas da superfície, como os capilares, por exemplo, não aparecerão azuis. As veias azuis aparecerem de maneira mais destacada em pessoas mais brancas, e talvez por isso tenha surgido a expressão “sangue azul”, usada para descrever a nobreza europeia no século XIX.

Fonte: Science Alert / Diário de Biologia Foto: Reprodução / Jornal Ciência

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