Paciência depende de fatores biológicos e não apenas “força de vontade”, diz estudo


de Redação Jornal Ciência 0

“A paciência é uma virtude”, é o que diz o poema Piers Plowman, escrito na Idade Média pelo poeta inglês William Langland. No entanto, ao contrário do que o poeta escreveu há mais de 600 anos, a paciência pode não depender apenas da virtude, mas sim de fatores biológicos.

Uma equipa de investigadores do Okinawa Institute of Science and Technology, no Japão, realizou uma experiência com a serotonina: os cientistas injetaram a substância em camundongos e observaram que os animais se tornaram mais pacientes. Além disso, os cientistas verificaram que existem duas áreas diferentes do cérebro responsáveis por avaliar separadamente os benefícios de aguardar com paciência por uma recompensa.

A serotonina é um neurotransmissor. Os neurotransmissores são substâncias químicas produzidas pelos neurônios, não somente no cérebro, mas também em outros órgãos. Basicamente “enviam informações” entre as células nervosas e outras células do corpo, influenciando diretamente no nosso estado psicológico, frequência cardíaca, sono, medo, angústia, apetite, humor, além de uma infinidade de outras funções.

Sobre a serotonina, sua função é bastante importante no nosso corpo, tendo a capacidade de atuar na aprendizagem, humor, estado de ansiedade, dores de cabeça, falta de apetite, e diversas outras questões. Pessoas com baixas quantidades de serotonina podem enfrentar problemas de saúde e desenvolver quadros graves de depressão. A maior parte dos antidepressivos tem como função ajustar os níveis de serotonina no cérebro, para que o estado de “bem-estar” possa ser estabilizado.

Leia também: 4 maneiras de aumentar naturalmente a serotonina para melhorar a saúde mental

Durante a experiência, os camundongos tinham de colocar o nariz dentro de um buraco enquanto esperavam que os cientistas lhes dessem uma porção de comida. No entanto, a equipe só recompensava os animais em 3/4 dos testes. A equipe foi percebendo que o nível de serotonina injetado nos ratos, em uma zona do cérebro chamada Núcleo Dorsal da Rafe (um importante local da serotonina), aumentava o tempo que os roedores estavam dispostos a esperar pela recompensa.

“A serotonina é um dos mais famosos neuromoduladores de comportamento – ajuda a regular o humor, os ciclos de sono e o apetite”, explicou Katsuhiko Miyazaki, líder do estudo, concluindo que a paciência é mais um dos comportamentos afetados pelos níveis de serotonina.

Isto significa que quanto maior for os níveis de serotonina, mais paciência demonstraram os camundongos. Pesquisas com camundongos são usadas como base inicial para quase todos os estudos biológicos em laboratório, o que pode representar um possível comparativo do mesmo efeito em humanos.

Outras partes do cérebro

Os cientistas também analisaram o impacto da serotonina em diferentes áreas dos cérebros dos camundongos, como no Córtex Orbitofrontal e no Córtex Pré-Frontal. No primeiro córtex, a inserção de serotonina resultou em maiores níveis de paciência.

No entanto, a inserção de serotonina teve um efeito diferente no córtex pré-frontal – só houve aumento do nível de paciência quando o tempo de espera pela recompensa era variável. A equipe concluiu que cada parte do cérebro calculou a probabilidade de recompensa de forma independente. 

Os resultados do estudo foram recentemente publicados na revista Science Advances.

Fonte(s): Zap / Inverse Foto(s): Katemangostar / Free Pik

Jornal Ciência