Descoberto “mapa de Júpiter” criado 1.400 anos antes dos europeus, na Babilônia

de Bruno Rizzato 0

A análise de uma antiga tábua com símbolos revelou que astrônomos da Babilônia tinham calculado os movimentos de Júpiter usando uma forma primitiva de cálculo geométrico, cerca de 1.400 anos antes da invenção da técnica criada pelos europeus.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

Isto significa que estes astrônomos mesopotâmicos antigos não só tinham descoberto como prever caminhos de Júpiter mais de 1.000 anos antes de existirem os primeiros telescópios, como também estavam usando técnicas matemáticas que formariam as bases do cálculo moderno, como nós o conhecemos os dias de hoje.

“Isso mostra o quão altamente desenvolvida era esta cultura antiga. Eu acho que ninguém esperava que algo como isto seria descoberto em um registro babilônico”, relatou o historiador Matthieu Ossendrijver, da Universidade de Humboldt, na Alemanha.

A chave para descobrir isso era uma única fotografia, tirada há 50 anos por um arqueólogo, de uma tábua astronômica antiga, que Ossendrijver usou para decodificar o significado de um trapézio estranho que tinha sido esculpido na pedra há mais de 2.000 anos.

Durante décadas, os pesquisadores não sabiam identificar o que estava presente em quatro registros babilônicos guardados no Museu Britânico de Londres. Todos continham esta forma trapezoidal no texto, referindo-se aos movimentos de Júpiter no céu. Embora tenhamos uma abundância de evidências arqueológicas de que a geometria básica foi muitas vezes utilizada na matemática babilônica, até agora, só haviam sinais do uso da aritmética. Então, por que eles estariam se referindo a cálculos geométricos com base nos lados de um trapézio? A resposta para isso estava na tábua encontrada.

Estas tabuletas cuneiformes foram encontraras em locais da antiga Babilônia e Uruk (atualmente Iraque), no século 19, e transportadas para o Museu Britânico. Ossendrijver conhecia o conteúdo dos quatro registros como a palma da sua mão, mas até encontrar esta fotografia, ele nunca tinha visto a quinta tábua.

“Quando eu encontrei a foto desta tábua, no ano passado, pensei imediatamente nas outras que eu conhecia, algumas das quais eu havia traduzido, mas nunca consegui entender”, disse o cientista em entrevista à New Scientist, relatando que a quinta peça era a chave para a compreensão de como os babilônios usaram a forma trapezoidal para prever a posição de Júpiter, que foi parte integrante de suas crenças sobre o tempo, o preço dos bens, e as flutuações dos níveis dos rios ao longo do ano.

“O agora decodificado ‘texto’ descreve um procedimento para o cálculo do deslocamento de Júpiter através do plano da eclíptica, o caminho que o Sol parece seguir através das estrelas, ao longo de um ano. De acordo com o texto, os babilônios fizeram ele seguindo a velocidade de Júpiter como uma função de tempo e determinando a área sob a curva tempo-velocidade”, escreveu Maddie Stone em seu artigo para o portal Gizmodo.

O fato mais intrigante, porém, é que estudiosos franceses e britânicos usaram a mesma técnica durante o século 14, com trapézios sendo usados para calcular as medições de velocidade e deslocamento. E, até então, o crédito desta invenção era dado a eles. “Em 1350, os matemáticos sabiam que se você calcular a área sob esta curva, você encontra a distância percorrida. Isso é uma visão abstrata sobre a conexão entre o tempo e o movimento. O que é mostrado através da análise destes registros é que essa percepção surgiu na Babilônia”, concluiu Ossendrijver, cujos resultados de pesquisa foram publicados na revista Science.

Fonte: Science Alert Foto: Reprodução / Curadores da British Museum / Mathieu Ossendrijver

Jornal Ciência