Jornal Ciência no seu WhatsApp

 

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número. Você receberá primeiro as notícias do Jornal Ciência em seu celular.

Como os cães de Moscou aprenderam a andar de metrô? Vira-latas da cidade são capazes de embarcar e desembarcar nas estações desejadas

de Merelyn Cerqueira 0

Para a maioria de nós, andar nos transportes públicos da cidade pode ser muito estressante.

Dependo dos horários e estações, eles podem estar lotados, barulhentos, quentes ou frios demais. No entanto, toleramos essas situações por uma questão de necessidade.

O que você não imagina – ou já pode até ter presenciado um caso – é que um número maciço de animais abandonados em uma cidade da Rússia também é capaz de andar de metrô, e melhor que isso, eles parecem saber exatamente para onde estão indo.

Aparentemente, os cães são capazes de identificar os trens em que querem estar e onde querem descer. Eles são capazes até de reconhecer e evitar as pessoas que são mais propensas a lhes fazerem algum tipo de mal dentro do transporte e também lidam tranquilamente com o barulho e o movimento do metrô.

Na verdade, muitas vezes eles são encontrados dormindo despreocupadamente dentro de vagões lotados. Contudo, como será que esses cães aprenderam esse comportamento?

De fato, os cães evoluíram ao lado dos humanos, durante os milhares de anos em que essa relação foi construída. Nesse tempo, eles desenvolveram a capacidade de reconhecer e responder aos nossos sinais físicos e emocionais, enquanto que a maioria dos animais tem dificuldades em interpretar os sinais sociais de outras espécies.

Sendo assim, os cães são excepcionalmente inteligentes sobre o comportamento humano e isso, de alguma maneira, explica o comportamento dos cães do metrô de Moscou.

Essas habilidades sociais sugerem um grau de evolução convergente entre cães e humanos. Isso ocorre quando diferentes espécies evoluem em um ambiente compartilhado e acabam apresentando características semelhantes. Assim, a habilidade dos cães do metrô russo pode sugerir que eles tenham desenvolvido mecanismos de enfrentamento semelhantes aos dos passageiros (humanos).

Porém, os vira-latas de Moscou têm um motivo ainda maior para se aventurarem pelo sistema de metrô. Eles aprendem as coisas por meio de associações positivas – método base para o treinamento de um cão: você o ensina a sentar, e se ele o faz, ganha uma recompensa – e esses retornos positivos geram respostas confiáveis e consistentes, bem como segurança e bem-estar.

Sendo assim, é bem provável que esses cães tenham associado o metrô a calor e comida. Assim, eles vão e voltam todas as vezes, como animais de estimação que se penduram no balcão da cozinha esperando por uma amostra do seu alimento.

O fato de eles não precisarem de um mapa pode ser explicado pelo olfato canino, substancialmente mais sensível e apurado do que o nosso.

Sendo assim, eles são capazes de escolher em quais estações querem embarcar e desembarcar. Porém, alguns estudos sugerem que os cães costumam usar muitos sinais sensoriais para encontrar um caminho, não apenas o olfato.

Sendo assim, cheiros, iluminação, movimento de passageiros e pessoas específicas podem explicar o fato de os cães de Moscou serem verdadeiros experts quando o assunto é mobilidade urbana.

[ Fonte: Daily Mail / The Conversation ]

[ Foto: Reprodução / The Conversation ]

Jornal Ciência