Cientistas resolveram um grande enigma sobre o campo magnético da Terra

de Merelyn Cerqueira 0

O campo magnético da Terra, também chamado de campo geomagnético, não só determina a localização dos polos Norte e Sul do planeta, como também fornece uma barreira protetora incrivelmente poderosa capaz de nos defender de ventos solares nocivos e radiação.

Jornal Ciência no seu WhatsApp

Clique aqui (61) 98302-6534, mande “olá” e salve nosso número nos seus contatos. Você receberá notícias do Jornal Ciência diretamente no seu celular.

No entanto, um dos questionamentos da ciência sobre esse fenômeno é o quão antigo ele pode ser. E um novo estudo, ao que tudo indica, esse chamado paradoxo geodínamo parece ter sido resolvido. De acordo com os cientistas, ele está em funcionamento há cerca de 3,4 bilhões de anos.

Segundo uma das pesquisadoras, Zuzana Konôpková, da DESY Photon Science, na Alemanha, o campo magnético nos protege de prejudiciais partículas de alta energia que existem no espaço, chamadas de radiação cósmica. “Sua existência, no entanto, é uma das coisas que tornam, o nosso planeta habitável”, disse. Contudo, até o momento, ninguém tinha certeza de quanto tempo esse campo geomagnético esteve protegendo a Terra.

Uma secção transversal da Terra com as linhas de campo do campo geomagnético. Imagem: Reprodução / DESY
Uma secção transversal da Terra com as linhas de campo do campo geomagnético. Imagem: Reprodução / DESY

Segundo os cientistas, o chamado geodínamo, um mecanismo presente dentro do planeta, é quem descreve o movimento do ferro líquido e maciço presente no interior do núcleo externo, o âmago mais profundo da Terra. A forma como ele se move – juntamente com a rotação do planeta – é o que nos mantem salvos das partículas cósmicas nocivas.

A relação entre os núcleos interno e externo, e especificamente como o calor passa entre eles para criar o geodínamo, é um dos maiores enigmas da ciência. Isso porque, essa região não é exatamente acessível para testes científicos.

Logo, Konôpková e sua esquipe decidiram simular a relação térmica entre as duas camadas do núcleo, imitando as condições relevantes. Assim, os pesquisadores usaram um dispositivo para ver como o ferro conduziria o calor sob condições extremas. A ferramenta usava um laser infravermelho para aquecer o metal até que ele pudesse se espremer entre dois diamantes, simulando as pressões extremas no núcleo da Terra. 

A hipótese dos pesquisadores sugere que, sem uma grande quantidade de calor, que é transferida pelo ferro, não haveria muita energia para dirigir a convecção que alimenta o geodínamo – enquanto a baixa condutividade térmica deixaria mais energia para gerar o campo magnético da Terra. Logo, a equipe descobriu que as amostras de ferro aquecido com o laser correspondem com a visão de que o campo magnético da Terra tem existido por pelo menos 3,4 bilhões anos.

Uma ilustração de como a bigorna de diamante é usado para imitar e estudar as condições do núcleos planetários. Imagem: Reprodução / Stewart McWilliams
Uma ilustração de como a bigorna de diamante é usado para imitar e estudar as condições do núcleos planetários. Imagem: Reprodução / Stewart McWilliams

Nossos resultados contradizem fortemente os cálculos teóricos“, disse Konôpková. “Encontramos valores muito baixos de condutividade térmica, cerca de 18 a 44 watts por metro Kelvin (W/ m.K), que pode resolver o paradoxo e fazer o geodínamo operável desde os primórdios da Terra”.

Contudo, a pesquisadora afirma que as conclusões permanecem altamente hipotéticas e que pretende estudar ainda mais a condutividade de térmica de metais além do ferro, para ter uma ideia melhor sobre como o núcleo do planeta afeta o geodínamo. As prévias descobertas foram publicadas na revista Nature.

[ Science Alert ] [ Foto: Reprodução / DESY ]

Jornal Ciência