Cientistas chineses criam macacos autistas em laboratório

de Merelyn Cerqueira 0

Cientistas chineses projetaram macacos com um gene do autismo humano. Observando os sintomas durante o crescimento dos animais, os pesquisadores têm esperanças de encontrar um tratamento para o autismo, um transtorno debilitante, ainda pouco compreendido pela Ciência.

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Uma equipe liderada por Zilong Qiu, do Instituto de Neurociência, em Xangai, criou os macacos em tubos de ensaio especiais com várias cópias do gene MECP2, creditado como responsável pelo autismo em humanos. Assim, o material foi implantado em fêmeas, para que elas pudessem desenvolver o feto. A partir do nascimento, os cientistas começaram a estudar o comportamento desses animais enquanto cresciam.

Os pesquisadores observaram uma maior frequência circular e repetitiva de locomoção, aumento de ansiedade e redução de interação social. Todas características de uma pessoa que pode sofrer uma série de anomalias comportamentais sob a égide do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Muitas vezes, essas pessoas são incapazes de se comunicarem ou não querem interagir com outras. Algumas podem ter um certo atraso no desenvolvimento cognitivo, enquanto outras podem apresentar grande inteligência em algumas áreas, como matemática ou música. A estrutura do cérebro de uma pessoa portadora de autismo é diferente das demais, no entanto as causas exatas ainda não estão muito claras para os cientistas, embora a genética esteja fortemente implicada. Ainda não existe cura para o autismo, a principal intervenção é feita através de terapia.

A pesquisa, realizada nos macacos, também levanta questões sobre a ética da realização de tais experimentos em primatas. Segundo Zilong, essas descobertas abrem caminho para o uso eficiente de macacos geneticamente modificados para o estudo de distúrbios cerebrais, já que, até o momento, os estudos sobre autismo só haviam sido feitos em experimentos com ratos de laboratório. O cientista insiste que a equipe está ciente dos padrões éticos internacionais.

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Para outros cientistas, como James Cusack, diretor de pesquisa sobre autismo no centro de caridade Autistica, na Inglaterra, a pesquisa pode ter um “desenvolvimento interessante” e que pode promover a compreensão do transtorno e possivelmente criar tratamentos mais adaptados. Melissa Bauman, professora de psiquiatria na Universidade da Califórnia, também é a favor do experimento, afirmando que “abre possibilidades de explorar os fatores de riscos genéticos em uma espécie mais próxima aos seres humanos”.   

[ Daily Mail ] [ Foto: Reprodução / Daily Mail via Nature ]

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