Astrônomos testemunham a morte de uma radiogaláxia gigante

de Bruno Rizzato 0

Uma equipe de astrônomos da Índia descobriu uma galáxia extremamente rara localizada a 9 bilhões de anos-luz de distância da Terra, na direção da constelação Cetus.

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O objeto, chamado J021659-044920, foi observado pelo telescópio Giant Metrewave Radio Telescope, por Prathamesh Tamhane, um estudante do Instituto Indiano de Ciências da Educação e Pesquisa. Ele e seus colegas do National Centre for Radio Astrophysics, em Pune, na Índia, viram que o objeto é uma radiogaláxia gigante, emitindo ondas de rádio em dois lóbulos opostos medindo 4 milhões de anos-luz de uma ponta a outra. Essa distância seria 40 vezes o diâmetro da Via Láctea.

Radiogaláxias de até um milhão de anos-luz são bastante comuns, mas as gigantes são raras e distantes entre si, especialmente no início do Universo. Porém, seus lóbulos começaram a desvanecer-se. Então, a equipe percebeu que a galáxia já não era mais ativa.

Embora buracos negros supermassivos e outras estruturas em J021659-044920 sejam indetectáveis pelo telescópio de rádio, observações de acompanhamento usando telescópios de infravermelho e raios X confirmaram a primeira avaliação feita pela equipe. A galáxia é um raro resquício da radiogaláxia gigante que ela já foi antes.

Uma vez que o buraco negro supermassivo no centro de uma galáxia começa a incorporar matéria em si mesmo, ele produz poderosos jatos de partículas carregadas e campos magnéticos. Os jatos geram fortes emissões de ondas de rádio que podem ser significativamente maiores do que a galáxia. Lóbulos de rádio como os pertencentes a J021659-044920 provavelmente levam bilhões de anos para serem produzidos.

Apesar de raro, é possível que buracos negros interrompam a emissão desses jatos. Quando isso acontece, a assinatura de ondas de rádio tende a desaparecer após alguns milhões de anos, pois não estão sendo reposta. Isso foi o que aconteceu com J021659-044920. Observar seus lóbulos, inclusive no momento em que começaram a desaparecer, é uma oportunidade única para compreender melhor a dinâmica e o ciclo de vida das radiogaláxias.

A equipe publicou sua descoberta no Monthly Notices, da Royal Astronomical Society.

[ IFLS ] [ Foto: Reprodução / Prathamesh Tamhane/Yogesh Wadadekar ]

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