Astrônomos estão perto de localizar o nono planeta do Sistema Solar

de Merelyn Cerqueira 0

No final de janeiro deste ano, os astrônomos americanos Konstantin Batygin e Mike Brown afirmaram ser possível a existência de um nono planeta depois de Netuno – oitavo e, até então, último planeta a partir do Sol. No entanto, os pesquisadores admitiram que não tinham ideia de sua órbita, podendo ser distante o suficiente para levar de 10.000 a 20.000 anos para dar uma volta completa ao Sol..

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O “Planeta X”, ou “Planeta Nove”, está localizado tão distante do Sol, que nunca pôde ser detectado em uma zona pesquisável. Porém, ao estudar os dados da sonda Cassini, da NASA, que orbita Saturno, a equipe conseguiu excluir mais duas zonas e ficar cada vez mais perto de saber a localização exata do tal planeta.

Anteriormente, a existência do nono planeta foi prevista com matemática, modelagem e simulações computadorizadas, feitas para explicar exatamente como funcionava uma estranha aglomeração de um grupo de seis planetas anões, previamente conhecidos, que estavam localizados no Cinturão de Kuiper – um campo de detritos e objetos gelados que orbitavam um pouco além de Netuno. Para encontrá-lo os pesquisadores deduziram que o Planeta X poderia estar próximo a esses detritos.

Assim, eles afirmaram que haveria uma pequena chance – 0,007%, ou uma, em 15.000 – de que a presença dele próximo a esse agrupamento pudesse ser apenas uma coincidência. Com isso, afirmaram que o planeta, que poderia ter uma massa de até 10 Terras, conduziu os seis objetos em suas órbitas elípticas incomuns, para fora do plano do Sistema Solar. No entanto, nesse momento, a equipe reduziu a área de pesquisa em 50%, quando eliminou duas zonas em que a modelagem não correspondia à realidade.

De acordo com Jacques Laskar, astrônomo pelo Observatório de Paris e coautor do estudo, o seu trabalho confirma a existência de um nono planeta, “mas não em qualquer lugar”, disse em entrevista à AFP. Com base em modelos matemáticos, os cientistas franceses calcularam qual a influência – viajando ao longo da órbita primeiramente descoberta pelos cientistas americanos – que esse planeta teria sobre o movimento dos outros planetas, à medida que passava nas proximidades.

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Acredita-se que o Planeta Nove dê uma volta ao Sol em um ambiente extremamente alongado e em um circuito oval assimétrico. Quando está na sua posição mais distante do Sol, o planeta fica muito longe para ser detectável, isso limitou os astrônomos a uma zona pesquisável que representa apenas cerca da metade de uma órbita completa.

Segundo Laskar, a pesquisa até pode ter reduzido o trabalho pela metade, no entanto, ainda pode demorar anos para que o Planeta Nove seja oficialmente encontrado – se é que de fato ele existe. Seria preciso um grande telescópio para detectá-lo a essa distância em que possivelmente se encontra, e tudo fica mais difícil ainda se os cientistas não tiverem uma ideia clara do tamanho de sua órbita.

Errata às 00:23 do dia 12/04/2016: Diferentemente do que dissemos, a órbita do nono planeta não tem de 10.000 a 20.000 anos-luz, mas sim leva de 10.000 a 20.000 anos para dar uma volta completa ao Sol. Lamentamos a falha!

[ Daily Mail ] [ Foto: Reprodução / Nasa ]

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