A prisão da orca Kshamenk é um dos casos mais monstruosos já cometidos contra animais

Explorada por mais de 29 anos em parque marinho na Argentina, a orca permanece solitária em uma piscina minúscula e suja, dando mais de 500 voltas por hora.

de Redação Jornal Ciência 0

Como pode um animal gigantesco que nada até 65 km por dia e mergulha a profundidades de 150 metros ficar preso em um cubículo, sem saída? Isso não é vida, é um abuso animal.

A orca extremamente solitária e presa neste tanque deprimente chama-se Kshamenk e foi explorada pelo Mundo Marino (parque aquático da Argentina) — uma versão latina do famoso Sea World, de Orlando, EUA.  

Kshamenk é uma orca macho de aproximadamente 34 anos, explorada 29 anos pelo Mundo Marino. Ela foi capturada com outras 3 orcas para a coleção de animais em cativeiro do parque, em 1992, quando tinha entre 4 e 5 anos de idade.

O Mundo Marino teria alegado que “salvou” as orcas de um encalhe, mas a realidade parece ter sido bem diferente de acordo com diversas fontes.

Kshamenk e as outras 3 orcas foram, de acordo com especulações da mídia, capturadas, obrigando-as encalhar de modo forçado.

Existem relatados de que 4 baleias foram empurradas por barcos do Mundo Marino com uma longa rede até a praia, onde foram mantidas até que a maré baixasse, deixando-as encalhadas por várias horas.

Uma foi devolvida ao mar por ser muito pesada, outra morreu no transporte. A terceira se suicidou batendo repetidamente seu corpo contra as paredes do tanque logo após ser colocada nele.

A única que sobreviveu foi Kshamenk. O Mundo Marino, de acordo com a ONG PETA, disse que ela seria “reabilitada”, mas na verdade foi mantida em um tanque com uma orca fêmea chamada Belén, onde estrelaram o show das orcas por 8 anos. Elas precisavam fazer acrobacias e piruetas em troca de comida.

Kshamenk jamais foi devolvida ao mar, como era a “intenção inicial”, sendo mantida como “brinquedo vivo” para uma plateia sádica que se divertia com o sofrimento das orcas, acreditando ser um belo espetáculo.

Kshamenk atingiu a maturidade sexual em 1997 e engravidou Belén em 1998. Depois de 16 meses de gravidez, deu à luz um filhote morto em 1999 e morreu pouco tempo depois, em fevereiro de 2000, devido a uma severa infecção renal.

Desde a morte de Belén, o Wilderness Foundation (WEF) passou a pedir a libertação da orca Kshamenk para evitar que ela tenha o mesmo destino triste de suas companheiras e de muitas outras vítimas da indústria dos cativeiros.

A prisão está deteriorando a vida de Kshamenk e sua saúde mental. A orca já não obedece os treinadores, está sexualmente frustrada, tem ataques de fúria, vive deprimida e passa vários momentos flutuando na água como se estivesse “morta”.

Alguns especialistas acreditam que o fato da orca Kshamenk ter sido retirada do mar com 4 ou 5 anos de idade, permitiria sua reintrodução na natureza por ter tido experiências de sobrevivência, como encontrar alimento e se comunicar utilizando seu biosonar.

Kshamenk é hostil com os treinadores. Na verdade, ela não quer se relacionar com pessoas. O fato de não ter desenvolvido laços com humanos durante este período, reforça sua possível reintegração à natureza já que mostra seu desprezo por nós.

Ao contrário de outras orcas de cativeiro que existem no mundo e que nasceram no próprio local, Kshamenk não é uma residente. Ela é uma orca transeunte, ou seja, sabe o que é a liberdade, já nadou milhares de quilômetros e entende que foi aprisionada.

Kshamenk nada em círculos mais de 500 vezes por hora em seu tanque, uma piscina suja, imunda, terrivelmente pequena para um animal de enorme porte.

Atualmente ela ainda “vive” no aquário Mundo Marino, em Buenos Aires, na Argentina, sendo considerada a única orca em cativeiro de toda a América do Sul.

Apesar de inúmeras petições, pedidos de liberdade do público, manifestações e campanhas na internet, Kshamenk ainda continua presa, isolada e sem respeito com sua vida.

O SeaWorld norte-americano teria, supostamente, usado o sêmen de Kshamenk para inseminar pelo menos duas das fêmeas mantidas em cativeiro em seus parques nos Estados Unidos.

Este também seria um dos motivos que levaria o parque argentino Mundo Marino a ignorar o apelo mundial pela libertação da orca Kshamenk.

Fonte(s): Minuto UnoSea World Dof Hurt Imagens: Reprodução / PETA / Twitter / Facebook

 

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