Veja o que acontece com seu cérebro no momento em que o coração bombeia sangue para ele

de Merelyn Cerqueira 0

Pode-se dizer que nosso coração existe de maneira isolada, bombeando ferozmente o sangue enquanto o resto de nossas vísceras permanece perfeitamente imóvel. Cada batida causa um pequeno tremor à medida que o sangue se move, e agora, por meio de uma nova técnica de ressonância magnética, pesquisadores nos EUA e Nova Zelândia conseguiram capturar esse efeito no cérebro em tempo real.

 

Eles amplificaram o efeito para observarmos com mais clareza como tudo funciona. Mas, muito além de fascinante, a técnica pode fornecer uma ferramenta muito útil para ajudar no diagnóstico de condições difíceis de serem detectadas, como aneurismas e concussões (lesão cerebral causada por uma pancada na cabeça ou uma agitação violenta da cabeça e do corpo), segundo informações da Science Alert.

A maneira como o método funciona envolve o fornecimento de uma linha base para o movimento normal do cérebro, que pode ajudar os médicos a identificar qualquer coisa incomum.

 

O movimento do cérebro no momento em que o coração bombeia o sangue para dentro dele é, na realidade, algo extremamente diminuto, cerca de 10 e 150 micrômetros, menor do que a largura do cabelo humano. Logo, este pequeno movimento é muito difícil de ser capturado.

 

Pensando nisso, a equipe, composta por cientistas de Stanford, Stevens Institute of Technology e Universidade de Auckland, encontraram uma maneira de ampliá-lo. Eles chamam a técnica de ressonância magnética baseada em fase, e levou dois anos para ser refinada. Ela funciona combinando pulsômetro, ressonância magnética e um algoritmo desenvolvido no MIT para amplificar o movimento em vídeos normais.

O paciente usa o pulsômetro, que permite aos pesquisadores coordenar o batimento cardíaco com as imagens do cérebro, e o algoritmo é aplicado à gravação do movimento do sangue e do líquido cefalorraquidiano através do cérebro. Aparentemente, isso dá aos médicos uma melhor visibilidade do que o método, particularmente nas áreas que mais se movem.

 

Usando a nova técnica, tais regiões mostraram uma redução significativa em artefatos de vídeo, como florescimento e sombreamento. Ela também revelou movimentos sutis em outras regiões do cérebro que não haviam sido observadas antes.

 

Concussão cerebral. Foto: Reprodução / Hospital Israelita A. Einstein

Para testar a abordagem, a equipe convidou duas pessoas: uma saudável e outra com uma condição chamada malformação de Chiari Tipo I, em que o tecido cerebral se estende para dentro do canal vertebral devido à má formação do crânio. Quando comparado ao indivíduo saudável, o cérebro do paciente com Chiari mostrou significativamente mais movimentos em dois locais.

Os pesquisadores agora planejam usar a técnica em pacientes com uma ampla gama de condições, incluindo aneurisma, hidrocefalia, concussões e anormalidades na estrutura do cérebro, a fim de observar diferentes formas de movimentos.

 

Segundo eles, uma melhor visualização e compreensão das propriedades biomecânicas do cérebro pode levar à prevenção, diagnóstico precoce ou monitoramento de distúrbios cerebrais. Os resultados do estudo foram publicanos na revista Magnetic Resonance in Medicine.

[ Science Alert / Online Library ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert ]

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