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O luto não é uma doença mental para ser tratado com remédios antidepressivos

Especialistas estão afirmando que o sofrimento não é nenhuma doença mental que precise ser tratado com remédios antidepressivos.

Em um editorial na revista médica The Lancet, especialistas argumentam que o sofrimento não requer psiquiatras e que legitimar o tratamento do sofrimento com remédios não é algo apenas simplista, mas também ineficaz.

O debate segue uma decisão da Associação Americana de Psiquiatria para classificar a dor pós-morte como uma doença mental em uma tentativa de permitir aos médicos serem mais flexíveis sobre o tratamento de pacientes que perderam entes queridos recentemente.

O primeiro editorial afirma: “O sofrimento de uma pessoa ao perder alguém importante é apenas uma resposta normal do corpo humano”.

Os comentários da The Lancet em não seguir a decisão da APA em adicionar as reações de luto à sua lista de doenças mentais, que será publicado em 2013 na “bíblia” dos psiquiatras - chamado de Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – causou incômodo em alguns profissionais.

A revista, juntamente com vários psiquiatras e psicólogos, pediu para que as alterações sejam sumariamente interrompidas, afirmando ser um absurdo classificar um paciente como “doente mental” após perder alguém importante. Os pesquisadores concordam que, em casos raros, o luto pode se transformar em uma dor demasiadamente prolongada ou depressão que podem merecer um tratamento médico.

Em 1917 a Associação Americana de Psiquiatria tinha 59 doenças mentais catalogadas, subindo para 128 no mesmo ano, 227 em 1980 e a última revisão da associação fechou em um total de 347 tipos de transtornos psiquiátricos. Será que precisamos de todos estes rótulos? Provavelmente não. E há um perigo real de que a timidez seja encarada como fobia social e crianças rotuladas como estudiosas fiquem na ânsia de serem perfeitas em termos de desempenho, e assim por diante.

As pessoas enlutadas podem ser rotuladas no futuro como depressivas. Peter Kinderman, professor de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de Liverpool, disse: “Ele irá exacerbar os problemas que resultam da tentativa de encaixe do médico, através de sistemas de diagnósticos para problemas que não se encaixam”.

Dr. Arthur Kleinman, psiquiatra de Harvard, antropólogo social e especialista em saúde geral, diz que o principal problema é a falta de provas científicas conclusivas para nos mostrar qual seria o tempo normal de duração de luto.

De acordo com os escritores da revista The Lancet, muitas vezes 6 meses não é o bastante. Em alguns casos o luto só melhora após o primeiro aniversário da morte, ficando a dor menos intensa. Eles acrescentam ainda que o luto é individual, modelado por sexo, crenças religiosas e o tipo de ligação com a pessoa falecida.

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Fonte: DailyMail Foto: Reprodução/DailyMail

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