Reversão dos polos magnéticos da Terra está atrasado; e não estamos preparados para quando acontecer!

de Merelyn Cerqueira 0

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O campo magnético da Terra, que ocorre em razão ao núcleo do planeta, é como uma grande bolha que nos protege contra a radiação vinda do espaço, mais especificamente do Sol, conforme observado pela BBC Brasil.

 

No entanto, essa “bolha protetora” está sujeita à instabilidade, de modo que já passou por centenas de reversões magnéticas ao longo da história do planeta. Fato é que se tornou muito habilidoso em inverter suas polaridades norte e sul – de tempos em tempos.

 

De acordo com a Futurism, nos últimos 20 milhões de anos, essa reversão ocorreu a cada 200.000 – 300.000 anos, e de maneira bem-sucedida. Há cerca de 40.000 anos, os polos fizeram uma tentativa infrutífera de inversão, enquanto que a última completa foi registrada há cerca de 780 mil. Logo, com base em um padrão estabelecido, especialistas acreditam que estamos um pouco atrasados para uma nova reversão.

 

De fato, o campo magnético do planeta já está mudando, o que poderia significar que os polos estão se preparando para virar. No entanto, enquanto ainda não podemos confirmar se a inversão está próxima, ela é real e não podemos fugir deste fenômeno natural e de suas consequências. Embora não seja incomum para a Terra, dessa vez a reversão poderia ter sérias implicações para a humanidade.

Para tentar determinar a iminência do evento, cientistas começaram a usar imagens de satélite e cálculos complexos para estudar o deslocamento do campo magnético. Eles descobriram que o ferro líquido incandescente e o níquel, presentes no núcleo do planeta, estão drenando a energia da região onde é gerado o campo magnético.

 

Eles também descobriram que o polo magnético ao norte é mais turbulento e imprevisível do que o ao sul. Então, se ambos se tornassem fortes o suficiente para enfraquecer o dipolo (sistema constituído de duas cargas separadas por uma distância), inevitavelmente mudariam de lado.

 

Entretanto, embora os cientistas não saibam se essa mudança acontecerá em breve, essa atividade no núcleo da Terra sugere que é possível que ocorra em futuro próximo.

 

Como a mudança dos polos nos afetaria?

O campo magnético permite que a vida seja possível na Terra, uma vez que estamos protegidos dos raios solares e cósmico. Quando eles alternam, este escudo protetor pode ser reduzido até um décimo de sua habilidade natural.

O processo, que poderia demorar séculos, irá expor a Terra à radiação. Eventualmente, quando essa radiação atingisse a superfície, tornaria regiões inabitáveis e causaria a extinção milhares de espécies.

 

Embora nada disso tenha acontecido durante a existência da humanidade, é possível que um campo magnético enfraquecido afete os sistemas de satélite em órbita, causando efeitos em redes elétricas e, consequentemente, apagões mundiais com décadas de duração. Neste cenário, poderíamos contar que celulares, computadores, eletrodomésticos, GPS, instalações hospitalares e até mesmo militares teriam seu funcionamento comprometido, o que é problemático, uma vez que estamos cada vez mais dependentes da tecnologia e armazenamento de dados. Logo, a vida como conhecemos poderia mudar para sempre.

 

Entretanto, nossa capacidade de reconhecer essa possibilidade antecipadamente nos permite nos preparar para isso. Para começar, empresas de satélites poderiam começar a colaborar umas com as outras, compartilhando ideias sobre como equipar satélites mais modernos que estariam à prova dessa inversão.

Governos, empresas e comunidades poderiam se unir para formar planos de ação, encontrando maneiras de armazenar energia. Já o governo deveria garantir para que o público seja educado adequadamente sobre o tema da reversão dos polos de modo que, quando acontecesse, não incitasse pânico generalizado – evitando assim suicídios em massa.

 

Os polos da Terra estão mudando há milhões de anos, e eles continuarão a fazer isso para sempre. Sendo assim, o melhor que podemos fazer é nos preparar para a próxima vez.

[ Science Alert / Futurism ] [ Foto: Reprodução / Jornal Ciência ]