Qual a diferença entre “A Mãe de Todas as Bombas” e uma bomba nuclear?

de Merelyn Cerqueira 0

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Se você acompanhou os noticiários nestas últimas semanas, certamente deve estar ciente que os EUA lançaram a “Mãe de Todas as Bombas”, oficialmente conhecida como GBU-43-B, em um complexo de cavernas dominado pelo Estado Islâmico (ISIS) em Achin, no Afeganistão.

 

De origem não nuclear, a chamada MOAB (Massive Ordnance Air Blast Bomb), que pesava mais de nove toneladas e tinha um intenso potencial destrutivo, foi saudada como a mais poderosa arma não nuclear do mundo. Mas, sempre que ouvimos esse tipo de informação ficamos confusos sobre a questão nuclear das bombas. Afinal, qual seria a diferença entre a MOAB e uma autêntica bomba nuclear?

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Explosão da GBU-43B no Afeganistão

Para esclarecer essa dúvida, o site Inverse preparou um artigo sobre o tema. Nele, diz-se que MOAB que explodiu sobre o ISIS era composta por mais de 3.600 quilos de um poderoso explosivo australiano conhecido como H6, comumente utilizado embaixo d’água. O H6 é uma versão menos volátil de uma substância obsoleta chamada Torpex e que era utilizada como uma alternativa ao TNT. Basicamente, sua explosão é equivalente a quase 10 toneladas de TNT.

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Para efeito de comparação, “Little Boy”, a bomba de urânio lançada sob Hiroshima em agosto de 1945, tinha o poder explosivo de 16 kilotons – 14.500 toneladas – de TNT. Já “Fat Man”, a bomba que caiu sobre Nagasaki três dias depois, tinha um poder explosivo de cerca de 20 kilotons – ou 18.100 toneladas de TNT. Considere que as unidades são a chave aqui; o nível de dano causado por MOAB em comparação as armas nucleares diferem em um fator de 1.000.

 

Curiosamente, o raio de destruição – que é a distância de destruição do ponto em que a bomba toca o solo – entre ambas é algo comparável, de pouco mais de um quilômetro. Já as bombas convencionais são mais fracas que as nucleares porque derivam sua força destrutiva unicamente da explosividade de produtos químicos dentro dela. Em outras palavras, a sua reação nuclear é química. As bombas nucleares também liberam radiação em seu calor por meio dessa reação, que envolve a quebra de ligações entre átomos e elétrons. Uma reação química, por outro lado, requer a divisão de nêutrons e prótons dentro de um núcleo compacto.

 

Dessa divisão de prótons e nêutrons há a liberação de uma maior quantidade de energia do que pela quebra dos elétrons. Logo, as bombas nucleares são, em última instância, mais perigosas do que suas contrapartes não nucleares, considerado ainda que as reações que ocorrem posteriormente à explosão podem durar por muito mais tempo. De acordo com estimativas da Nuclear Darkness, uma única e pequena bomba nuclear é capaz de liberar o mesmo de energia de 40.000 bombas convencionais.

Dito isso, atualmente, nem a MOAB, tampouco as bombas atômicas podem ser consideradas nossas maiores ameaças. Essa sórdida distinção vai para as armas atômicas termonucleares. O B83, por exemplo, uma bomba que trabalha pelo processo de fissão nuclear, é capaz de liberar uma explosão equivalente a mais de um milhão de toneladas de TNT, o que a torna 80 vezes mais poderosa do “Little Boy” e 109.000 vezes mais forte do que MOAB.

 

Contudo, existem muitas formas de avaliarmos o poder destrutivo de uma bomba – e nem todos eles são mensuráveis. MOAB, por exemplo, foi originalmente concebida para causar danos psicológicos, ou seja, assustar ao invés de matar. Agora, neste quesito psicológico, como MOAB poderá ser comparada às armas atômicas da Segunda Guerra ainda é algo que vamos ver.

[ Inverse ] [ Fotos: Reprodução / Inverse ]