Proteína cerebral mortal e contagiosa é desenvolvida pela primeira vez em laboratório

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Você já ouvir falar em príons? Tratam-se de partículas proteicas infecciosas que são responsáveis por uma série de doenças cerebrais devastadoras. Elas se diferem das bactérias e vírus comuns porque são desprovidas de carga genética.

 

Sabendo disso, pesquisadores nos EUA sintetizaram pela primeira vez na história, um príon artificial em laboratório. Mas, ao invés de fazê-lo com o intento de criar uma pandemia, o fizeram com o objetivo de desenvolver tratamentos para doenças causadas pelos próprios príons, segundo informações da Science Alert.

 

De acordo com o neurologista Jiri G. Safar, da Case Western Reserve School of Medicine, até o momento, a compreensão da ciência a respeito dos príons tem sido limitada. Logo, ser capaz de sintetizá-los poderia ajudar a alcançar um entendimento muito mais rico da estrutura e formas de replicação deste tipo de proteína.

 

Uma vez compreendido isso, os pesquisadores estariam mais bem equipados para desenvolver medicamentos capazes de retardar a ação dos príons do cérebro, impedindo uma potencial disseminação com características devastadoras.

Os príons, em outras palavras, são proteínas que deram “errado” e acabaram se dobrando de forma anormal. Então, quando se ligam as proteínas normais do cérebro, induzem estas a se tornarem anormais também. Esse efeito cascata cria buracos microscópicos no órgão, transformando-o em algo semelhante a uma esponja.

 

Esse dando cerebral incontrolável é capaz de causar demência, perda de controle corporal e até mesmo a morte. Um dos exemplos mais notáveis é a chamada “doença da vaca louca” (ou, mais tecnicamente, Encefalopatia Espongiforme Progressiva) que também pode ser encontrada em seres humanos.

 

As doenças causadas por príons são raras, de modo que apenas cerca de 300 casos são relatados por ano nos EUA. No entanto, possuem progressão rápida e são, para todos os efeitos, incuráveis, o que as tornam particularmente assustadoras.

 

No passado, pesquisadores já haviam conseguido projetar tais proteínas em ratos, mas estas não foram capazes de infectar seres humanos, uma vez que possuem diferentes estruturas e mecanismos de replicação. Para o recente estudo, os cientistas usaram uma proteína priônica humana geneticamente modificada, expressada em bactérias E. coli, e conseguiram sintetizá-la com sucesso em um príon humano “altamente destrutivo”.

Eles testaram o modelo em camundongos transgênicos e observaram quando disfunções neurológicas começaram a acometer os animais. A neuropatia sugeria que uma nova cepa de príon humano altamente tóxica havia sido criada com sucesso.

 

No processo, eles também descobriram que uma molécula chamada Ganglioside GM1- que ajuda a modular a sintetização das células – ajudou a desencadear a replicação infecciosa e a transmissão da doença priônica.

 

Eles verificaram ainda que são mudanças particulares nas cadeias de aminoácidos da estrutura do príon que determinam o quão rápido ele replica, o quão infeccioso será e quais as estruturas cerebrais que planeja atacar.

Os resultados, que foram publicados na revista Nature Communications, poderão ajudar os cientistas a desenvolverem medicações capazes de inibir a Ganglioside GM1 e consequentemente impedir que a doença do príon se espalhe.

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Diffen ]

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