Pesquisadores criaram rato transparente que brilha no escuro

de Julia Moretto 0

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Durante a Era Vitoriana, os pesquisadores que queriam analisar o organismo de um animal tinham que cortar seu corpo ao meio. Como não havia radiografia ou ressonância magnética, essa era a única opção para o avanço da Ciência.

 

Felizmente os tempos mudaram e é possível estudar um animal sem precisar cortá-lo ao meio. Porém, as representações visuais ainda não podem captar totalmente o interior dos seres. A opacidade da pele e dos órgãos continuam sendo grandes obstáculos para os cientistas. 

 

Criação

Para acabar com esse problema, cientistas da Universidade de Munique Ludwig-Maximilians e do Centro Alemão para Doenças Neurodegenerativas, criaram ratos transparentes e que brilham no escuro. Essa técnica também pode encolher os animais até um terço de seu volume e é a mais eficaz até o momento.

 

Funcionamento

O primeiro passo foi remover a pele do rato. Depois injetaram produtos químicos no animal e o banharam também com químicos – por exemplo um agente desidratante e um solvente orgânico. O processo pode levar alguns dias e possibilita remover a água e os lipídios das células do rato. É pela desidratação que o animal encolhe. No final do procedimento, o rato está com suas estruturas internas visíveis a olho nu. Através da coloração de sistemas orgânicos é possível observar todas as estruturas dentro do animal, como veias, neurônios e medula espinhal.

 

Comprovando a teoria

O método foi nomeado de uDISCO, abreviação para “ultimate 3-dimensional imaging of solvent-cleared organs”, que significa “imagem final tridimensional de órgãos limpos com solvente”. Anteriormente, com o método 3DISCO, os ratos chegaram a ficar transparentes, mas não conseguiram manter as proteínas fluorescentes dentro do seu corpo. A equipe que desenvolveu a nova técnica contou com cientistas participantes do experimento anterior.

Os cientistas marcaram neurônios dentro do cérebro do animal com um corante fluorescente e aplicaram a técnica uDISCO. O resultado da experiência foi um mapa brilhante do sistema nervoso central que possibilitou-lhes analisar a conexão e os caminhos do cérebro até a medula espinhal.

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Pesquisas futuras

Um teste realizado em uma pequena parte do tecido humano abriu as portas para a hipótese de pessoas transparentes no futuro. A técnica poderá ajudar na compreensão das células-tronco, já que o caminho que as células estaminais seguem após serem implantadas poderá ser observado. O método uDISCO, também pode auxiliar os neurologistas a compreender como os neurônios se conectam sem precisar abrir o cérebro.

[ Discover Magazine ] [ Fotos: Reprodução / Discover Magazine ]