Nova espécie de caranguejo-ermitão é descoberta em corais no sul do Japão

de Merelyn Cerqueira 0

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O caranguejo-ermitão já é um velho conhecido da Biologia. Ele é capaz de transformar uma simples concha vazia em uma armadura protetora. No entanto, pesquisadores da Universidade de Kyoto, no Japão, descobriram que as conchas não são a única forma de proteção destes crustáceos. Uma nova espécie de caranguejo-ermitão foi descoberta no sul do Japão, nas lhas Amami e Okinawa, e ela tem usado corais solitários como forma de proteção. As informações são da Science Alert.

 

A descoberta, publicada na revista PLOS ONE, retrata um caranguejo – nomeado como Diogenes heteropsammicola em razão do coral que carrega – de pernas vermelhas e garras brancas. A espécie adulta pode chegar a apenas alguns milímetros de comprimento, embora seja capaz de transportar os corpos dos corais que são muito maiores.

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Ao longo de suas vidas, a maioria dos caranguejos-ermitão se desloca para dentro de uma concha a fim de garantir melhor proteção. Mas, para a nova espécie em particular, este não é exatamente o caso. O corpo do animal é encapuzado de maneira segura dentro de uma cavidade do coral, que crescerá em harmonia com o corpo do crustáceo.

Melhor do que isso só o fato de que o coral possui uma forma de ferrão, que ajuda a proteger o caranguejo do ataque de potenciais predadores, como estrelas do mar, polvos e até mesmo caranguejos maiores.

 

Mas, se o caranguejo é beneficiado pelo método, o que os corais ganham com isso?

Primeiramente, nem todos os corais são do tipo de construção de recifes. Os corais solitários, por exemplo, que são os usados como escudo pelos crustáceos, são frequentemente encontrados no arenoso chão marinhos raso. Esse estilo de vida vem acompanhado do perigo de ser enterrado por sedimentos ou levado por fortes correntes.

 

No entanto, para combater isso, estes corais contam com a ajuda dos caranguejos para transferi-los de um solo arenoso para outro. O processo é conhecido como “o caminhar dos corais”, embora literalmente usem as pernas de outras espécies para fazê-lo. Até o momento, a ciência conhecia apenas uma criatura que ajudava esses corais, os chamados Sipuncula, que são uma espécie de verme marinho.

 

Este tipo de relacionamento é visto como simbiótico, enquanto que cada um dos parceiros é conhecido como simbionte. A ciência acredita que essa relação ocorra porque ambos os animais são fortemente dependentes um do outro, bem como são altamente especializados, o que dificulta o trabalho com espécies diferentes. No entanto, o caranguejo-ermitão parece ter desafiado este último ponto, uma vez que passou a preencher a mesma cavidade outrora frequentada pelos vermes.

De acordo com Momoko Igawa, um dos cientistas da descoberta, primeiro um coral jovem se instala em uma pequena concha que já foi usada por um sipuncula. “O coral então cresce e, em última análise, além da concha, proporciona uma cavidade para o parceiro verme também crescer“, explicou Igawa acrescentando que é provável que algo semelhante tenha acontecido com os caranguejos-ermitão.

 

Os corais fornecem abrigo para os ermitões, protegendo-os contra predadores”, disse. O caranguejo, por sua vez, tem o papel de transportar o coral pelo fundo do mar, resgatando-o de fortes correntes e impedindo-o de ficar preso nos sedimentos.

[ Science Alert / The Conversation ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert ]