NASA acredita que é possível cultivar batatas em Marte

de Merelyn Cerqueira 0

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No filme “Perdido em Marte”, sci-fi dirigido por Ridley Scott e estrelado por Matt Damon (Mark Watney), uma missão espacial sofre um revés em que parte de sua tripulação morre ou vai embora deixando um único astronauta para trás.

 

Embora suas chances de sobrevivência em Marte sejam mínimas, ele recorre à Ciência para tentar se manter vivo. Sendo ele um botânico graduado, consegue improvisar uma estufa a partir do alojamento de fezes para que, com ajuda do solo marciano e água produzida a partir de hidrazina, consiga cultivar batatas. Contudo, cultivar batatas ou outros alimentos em solo marciano é um tipo de curiosidade que vai além da ficção científica. A NASA descobriu que, a experiência do personagem Mark Watney pode realmente ser possível, conforme informado pela Science Alert.

 

Há anos que a NASA planeja uma missão tripulada para o planeta de solo vermelho. O Congresso dos EUA até aprovou uma lei que apoia a ideia da agência espacial e que provavelmente se tornará uma realidade em 2033. Além de uma simples visita, há também a exploração de ideias para a colonização de MarteMas, para que isso seja possível, cientistas da NASA e do Centro Internacional da Batata (CIP: International Potato Center), em Lima, no Peru, construíram uma estufa para realizar uma experiência de cultivo de tubérculos imitando as condições extremas da superfície de Marte.

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O ensaio está sendo feito dentro de uma cápsula de lançamento de foguete chamada Cube Sat, equipada com bombas, mangueiras de água, luzes LED e instrumentos que emulam a temperatura de Marte, bem como ciclos de luz noturnos e diurnos, gases e pressão do ar. Em fevereiro deste ano, os pesquisadores despejaram uma porção de solo praticamente sem vida do interior de Pampas de la Joya, no Peru, plantaram os tubérculos, selaram a cápsula e começaram a filmar para ver o que aconteceria.

 

“Os resultados preliminares são positivos”, disse a CIP por meio de um comunicado de imprensa. “Isso quer dizer que uma planta de batata cresceu em solo desértico inóspito em condições semelhantes às de Marte”. Segundo Julio Valdivia-Silva, um pesquisador da NASA pela Universidade de Engenharia e Tecnologia de Lima, “se as culturas podem tolerar as condições extremas a que estão sendo expostas dentro do Cube Sat, têm uma boa chance de crescerem em Marte“. Ainda vamos fazer vários outros experimentos para descobrir quais variedades de batata crescem melhor”, disse ele. “Queremos saber quais são as condições mínimas de que uma batata precisa para sobreviver”.

Contudo, há de se ressaltar que o experimento não fornece uma evidência completa do que exatamente um potencial agricultor marciano precisará. O solo utilizado não era realmente de Marte:embora fosse árido e inóspito, ele provavelmente contou a presença de alguns micróbios que ajudaram no crescimento da planta. Ainda, o experimento usou ramas de batata ao invés de sementes, e isso é um problema porque não sabemos se as ramas sobreviveriam a uma viagem de meses ou anos dentro de um foguete. Isso poderia exigir tecnologias de aquecimento sobre pressão (termoestabilização) ou radiação, o que prejudica as células da planta.

 

Por outro lado, vários outros experimentos já mostraram que pode ser possível cultivarmos alimentos em solo marciano e poeira lunar (regolito). Bruce Bugbee, botânico e cientista da NASA pela Universidade de Utah State, disse em 2015 que não há razão para que o cultivo não funcione – embora tivesse desconsiderado a ideia do personagem de Matt Damon de fazê-lo a partir das fezes, uma vez que “pode ser tóxico para as plantas”.

 

Agora, a CIP e a NASA estão analisando as condições das culturas plantadas no Cube Sat a partir de diferentes e adversas condições. Eles afirmam que, além de ajudar os astronautas no futuro, a ideia também traria benefícios para as pessoas na Terra. Os resultados indicam que nossos esforços para criar variedades com alto potencial para fortalecer a segurança alimentar em áreas afetadas, ou que serão afetadas pelas mudanças climáticas, estão funcionando”, disse Walter Amoros, do CIP, por meio de um comunicado. Abaixo você pode conferir o vídeo do experimento no Cube Sat.

[ Science Alert ] [ Fotos: Reprodução / Science Alert ]