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Cientistas induziram uma levedura a tornar-se multicelular

Uma transição evolutiva que levou vários bilhões de anos para ocorrer na natureza aconteceu em um laboratório e os cientistas precisaram de apenas 60 dias. Sob pressão artificial a levedura tornou-se multicelular.

O passo crucial é responsável pela progressão da vida além de algas e bactérias. No novo estudo, pesquisadores desenvolveram a levedura de cerveja, um organismo unicelular comum, em frascos de caldo rico em nutrientes. "A levedura não precisa de complexidade ou de genes especiais para se tornar multicelular”, disse o biólogo evolucionista Michael Travisano da Universidade de Minnesota, coautor do estudo na Proceedings of the National Academy of Sciences.

Uma vez por dia, os cientistas removiam o fermento originário da levedura e usavam para iniciar novas culturas. Dentro de poucas semanas, as células de levedura individuais ainda mantinham suas identidades singulares, mas se aglutinaram. No final de dois meses, cada cepa tinha evoluído para seres multicelulares, mostrando todas as tendências associadas a "maior" forma de vida: uma divisão de trabalho entre as células especializadas, estágios de vida juvenil e adulta e filhos multicelulares.

"Pluricelularidade é melhor em cooperação", disse Travisano, que quer entender como a cooperação emerge em organismos “egoístas”. "Às vezes as células desistiam de sua capacidade de se reproduzir para o benefício de parentes próximos”.

Desde o final dos anos 90, estudos de evolução experimental têm tentado induzir a multicelularidade em laboratório. De acordo com Travisano, muita ênfase foi colocada na identificação de alguma essência genética de complexidade. O novo estudo sugere que as condições ambientais são fundamentais: “Dê aos organismos unicelulares razão para serem multicelulares, e eles serão” afirma.

Para além de observações sobre as origens da complexidade, a descoberta pode ter implicações para os pesquisadores em outros campos. Enquanto multicelularidade tem seus tempos difíceis, devido os animais existentes que têm uma vantagem competitiva, a lição básica de evolução rápida e radical é universal.  "Estou certo de que a rápida evolução ocorre. Nós simplesmente não sabemos como olhar para ela” sugere Travisano

Criação de organismos unicelulares em complexos para formar seres multicelulares também poderia ser usada como uma técnica de produção biotecnológica. "O que estamos fazendo aqui, através da seleção artificial, é algo que fizemos durante séculos com os animais e agricultura” lembra Travisano.

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Foto: Reprodução/Ratcliff et al. / PNAS

Comentários  

 
-1 #1 Antony silva 17-03-2012 21:15
:sad: cara, elas se aglutinaram nao evoluiram. É tanto que mantiveram sua individualidade . O esforço em comprovar a evolução é válido, mas esse experimento nao prova nada ainda.
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