Já imaginou como deve ser assustador acordar durante sua própria cirurgia?

de Merelyn Cerqueira 0

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É relativamente raro que um paciente acorde durante uma cirurgia. A experiência, essencialmente traumática, faz parte de um fenômeno conhecido como “consciência de anestesia”, e apenas um em cada 19.600 pacientes entrevistados já experimentou, de acordo com uma pesquisa feita em 2014 no Reino Unido.

 

Já nos EUA, o fenômeno é mais recorrente, afetando um em cada 1.000 pacientes cirúrgicos. Mas, o que exatamente acontece quando um paciente acorda durante este tipo de procedimento médico?

 

Segundo informações da Science Alert, na pesquisa, os pacientes que acordaram durante a cirurgia descreveram ter experimentado uma variedade de sensações, incluindo asfixia, paralisia, dor, alucinações e experiências de quase morte. Curiosamente, a sensação de paralisia foi relatada como a sensação mais angustiante do processo, até muito mais do que a dor.

 

Verificou-se ainda que, a longo prazo, quase metade dos pacientes sofreram consequências psicológicas como resultado do fenômeno, incluindo transtorno de estresse pós-traumático e depressão.

 

No entanto, a pesquisa mostrou que a maioria das pessoas acordaram antes ou depois da cirurgia, e não durante o procedimento, contrariando a crença popular. Ainda, a maioria das experiências foi curta, durando menos de cinco minutos.

Carol Weihrer, uma norte-americana que acordou durante uma cirurgia ocular em 1998, afirmou ter sofrido de transtorno de estresse pós traumático com resultado. “Eu estava acordada, mas paralisada”, disse ela à CNN. “Eu podia ouvir o cirurgião dizendo ao seu aprendiz para ‘cortar mais fundo nos olhos’“.

 

Eu gritava, mas ninguém podia me ouvir”, continuou. “Não senti nenhuma dor, apenas uma sensação de puxão. Tentei mexer os dedos dos pés ou até mesmo me afastar da mesa de operação, mas não consegui me mover. Pensei que estivesse morrendo”. Desde então, toda vez que se deitava tinha flashbacks da operação. Portanto, teve que dormir apenas em poltronas para evitar as lembranças.

 

Segundo Daniel Cole, vice-presidente da Sociedade Americana de Anestesistas, a consciência anestésica ocorre quando uma quantidade insuficiente de anestesia é administrada para suprimir a consciência humana – como durante as cesarianas de emergência, já que muita anestesia pode prejudicar o bebê. Ao contrário disso, altas doses anestésicas podem colocar o paciente em risco.

 

Atualmente, para evitar que este tipo de situação ocorra, recomenda-se que sejam usados estimuladores nervosos, que são capazes de medir a extensão de paralisia durante uma cirurgia. Isto também evitaria que uma quantidade mínima de medicamento seja utilizada, tornando possível que o paciente se movimente se estiver acordado.

Além disso, conforme apontou Jaideep Pandit, um consultor anestesista que liderou o estudo, educar os pacientes sobre as possibilidades também faz parte da solução, bem como acalmá-los sobre suas preocupações.

 

Os pacientes que foram informados sobre a consciência antes da cirurgia foram preparados e não se angustiaram quando experimentaram“, disse ele à CNN. “Não podemos descartar as preocupações desses pacientes. Precisamos oferecer um tratamento imediato para evitar danos psicológicos a longo prazo“, concluiu.

[ Science Alert ] [ Foto: Reprodução / Jornal Ciência ]