Conheça Wikie, a primeira “baleia assassina” capaz de falar

de Merelyn Cerqueira 0

Em um novo estudo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, pesquisadores da Alemanha, Reino Unido e Chile, revelaram que as orcas são capazes de imitar a fala humana.

 

Em experimentos feitos com uma orca fêmea chamada Wikie, que vive em um aquário na França, eles conseguiram ouvir palavras como “hello“, “one, two” e “bye, bye”, segundo informações do The Guardian.

orca-baleia-que-fala_1

O estudo também mostrou que as baleias assassinas, como são conhecidas as orcas, são capazes de imitar sons desconhecidos produzidos por outras – incluindo o som de sopro. A título de curiosidades, apesar de serem chamadas de baleias, elas são na verdade golfinhos.

Segundo os cientistas, a descoberta ajuda a esclarecer como diferentes espécies de orcas selvagens acabaram com dialetos distintos, aumentado a ideia de que são meramente imitações. Essas espécies de baleias já são conhecidas por sua capacidade de copiar os movimentos de semelhantes, com alguns estudos sugerindo que também podem imitar os sons produzidos por golfinhos e leões marinhos.

Queríamos ver o quão flexível é a baleia assassina na reprodução de sons“, disse Josep Call, professor de origens evolutivas na Universidade de St. Andrews e coautor do estudo. “Nós pensávamos que o que seria realmente convincente era apresentá-las algo que não está no seu repertório – e, neste caso, ‘hello’ não é uma coisa que uma baleia assassina diria“.

Aparentemente, Wikie não é o primeiro animal a ter conseguido produzir sons humanos. Algo semelhante já foi observado entre outros golfinhos, elefantes, papagaios, orangotangos e até baleias beluga, embora os mecanismos físicos para fazê-lo sejam diferentes. Enquanto a baleia beluga utiliza suas cavidades nasais, por exemplo, outros animais usam diversas estruturas.

 

No entanto, os pesquisadores acreditam que apenas uma pequena fração do reino animal é capaz de imitar o discurso humano. Logo, apenas os que possuem elementos cerebrais e aparelhos vocais específicos.

 

Isso é o que o torna a descoberta ainda mais impressionante – mesmo que a morfologia [das orcas] seja tão diferente, elas ainda podem produzir um som que se aproxima de outras espécies, neste caso nós“, disse Call.

 

Por outro lado, enquanto a orca pode produzir o som, o pesquisador afirma que é improvável que ela entenda o que está dizendo. “Não temos provas de que elas entendam o que “hello” representa”, disse.

Segundo os pesquisadores, antes do experimento, Wikie já havia sido treinada para imitar ações realizadas por outras orcas. No entanto, para o estudo em questão, ela foi exposta a cinco sons de orcas que nunca tinha ouvido antes. Então, foi exposta novamente aos mesmos sons, porém produzido por um humano, seguidos da lista de palavras: “hello”, “Amy”, “ah ha”, “one, two” e “bye bye”.

 

“Você não pode escolher uma palavra que é muito complicada porque, acho que estará pedindo demais – queríamos coisas curtas, mas também distintivas”, explicou Call.

 

O sucesso de Wikie foi julgado pela primeira vez por seus dois treinadores e depois, quando registrado em gravações, foi apresentado a seis juízes independentes que os compararam sem saber qual era o original.

Eu acho que temos a primeira evidência de que as baleias assassinas podem estar aprendendo sons pela imitação vocal, e isso é algo que poderia ser a base dos dialetos que observamos na natureza – é plausível”, disse Call, acrescentando que os resultados ainda precisam ser confirmados em orcas selvagens.

 

Segundo Diana Reiss, especialista em comunicação com golfinhos e professora de psicologia no Hunter College, da Universidade de Nova York, que não esteve envolvida no estudo, a pesquisa amplia a compreensão das habilidades vocais das orcas e como Wikie é capaz de aplicar um comando de “cópia” aprendido para imitação de ações e sons.

[ The Guardian ] [ Fotos: Reprodução / The Guardian ]

deixe uma resposta

Seu e-mail não será publicado

Você pode usar tags e atributos em HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>