Câncer de pulmão desenvolve “estômago” para sobreviver e fugir de quimioterapia e descoberta choca médicos

de Merelyn Cerqueira 0

Recentemente, pesquisadores descobriram dentro de amostras celulares de tumores de pulmão minúsculas formas de “estômago, duodeno e intestino delgado”.

 

Sabendo que as células de um tumor expressam genes diferentes e adotam tamanhos e formas distintas, eles descobriram que algumas haviam perdido um gene chamado NKX2-1, que atua como um interruptor, lançando uma rede de outros genes para definir o curso de um tumor pulmonar.

 

As descobertas, que foram publicadas na revista Developmental Cell, sugerem que sem o gene, as células cancerosas se espalham para seu vizinho de desenvolvimento mais próximo. Além disso, ressaltam sua incrível resiliência e plasticidade, conforme informado pela Futurism.

Presume-se que, tal plasticidade pode permitir que os tumores desenvolvam resistência aos medicamentos, o que é possivelmente o maior desafio para o sucesso do tratamento do câncer.

Segundo o principal autor do estudo, Purushothama Rao Tata, professor assistente de biologia celular na Escola de Medicina da Universidade Duke, nos EUA, e membro do Duke Cancer Institute, as células cancerígenas são capazes de tudo para sobreviver. “Após o tratamento com quimioterapia, as células pulmonares desligam alguns dos principais reguladores das células saudáveis e captam algumas de suas características, a fim de ganhar resistência”, explicou.

 

Tata, que passou a maior parte de sua carreira estudando os tipos de células que compõem o tecido pulmonar normal e como elas ganham flexibilidade durante a regeneração após uma lesão, começou a se perguntar se algumas das mesmas regras que regem o desenvolvimento normal e regeneração dos tecidos também se aplicavam aos tumores.

 

Ele decidiu se concentrar nas células de câncer de pulmão, que é a principal causa de mortes por câncer em todo mundo, bem como uma das formas com menos chances de sobrevivência.

 

O pesquisador analisou dados da Cancer Genome Atlas Research Network, uma grande rede que descreve genomas de milhares de amostras de 33 tipos diferentes de câncer. Ele descobriu que uma grande porção dos tumores de pulmão não tinha o gene NKX2-1, conhecido por especificar a linhagem do pulmão. Ao invés disso, muitos deles expressavam vários genes associados ao esôfago e órgãos gastrointestinais.

Assim, na ausência do NKX2-1, as células tumorais perderiam sua identidade e assumiriam as características de outras células. Durante o desenvolvimento, as células do pulmão e intestino são derivadas da mesma fonte progenitora. Isso explicaria a ideia de que, uma vez perdidas as células do pulmão, as remanescentes sigam caminho em direção ao irmão de desenvolvimento mais próximo.

 

Para testar sua teoria, Tata e seus colegas geraram diferentes modelos de ratos. No primeiro grupo, eliminaram o gene NKX2-1 do tecido pulmonar. Então, sob o microscópio, notaram características que, em condições normais, só apareceriam no intestino, como estruturas semelhantes a cripta e tecidos gástricos. Mais surpreendente do que isso, só o fato de que essas estruturas produziam enzimas digestivas como se estivessem em um estômago, e não em um pulmão.

 

Tata então resolveu fazer outro ajuste, ativando os oncogenes chamados SOX2 E KRAS. Sua equipe descobriu que, nas mutações de SOX2, os ratos desenvolveram tumores que pareciam pertencer ao intestino delgado. Já nas mutações KRAS, os roedores desenvolveram tumores com características do intestino grosso.

Sabendo disso, os cientistas queriam entender se esses genes eram suficientes para alterar o destino das células pulmonares, ou se precisavam de sinais adicionais de seu microambiente ativo. Assim, eles desenvolveram um novo sistema, como uma versão em miniatura do tecido do tumor pulmonar, e descobriram que a manipulação genética era suficiente para que a plasticidades das células se evidenciassem.

 

Há muito tempo os cientistas suspeitavam que as células cancerosas pudessem mudar de forma a fim de evitar a quimioterapia e adquirir resistência, mas não conheciam os mecanismos por trás dessa plasticidade“, disse Tata. “Agora que sabemos com o que estamos lidando – podemos pensar no caminho que essas células podem seguir e criar terapias para bloqueá-las”.

 

Tata afirmou ainda que, no futuro, planeja usar seu sistema para explorar mecanismos de resistência nas células cancerosas do pulmão.

[ Science Alert / Futurism ] [ Foto: Reprodução / Science Alert ]

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